Aprendizes de si: percursos para sentir/pensar as artes e as culturas silenciadas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/198431781632020147

Palavras-chave:

Formação universitária, Práticas decoloniais, Expressões artísticas, Corpo, Africanidades,

Resumo

A formação universitária pode possibilitar caminhos menos coloniais de ensino e aprendizagem, desde que a natureza plural da sua própria comunidade seja reconhecidamente considerada em seus processos formativos e nas tomadas de decisões institucionais, sendo, desse modo, uma instituição educativa que não se enclausure no colonialismo separatista, discriminatório, distanciador dos sujeitos que dela fazem parte. O corpo, por vezes, negado/oprimido em função da sua cor; da sua nacionalidade; da sua “classe social”, da sua cultura, resiste pela afirmação daquilo que coletivamente foi instituído como sendo sua identidade; seus processos identitários, sua africanidade. Nesse contexto, a arte, pode se tornar um elemento agregador do processo de luta e afirmação. Este estudo fenomenológico, portanto, tem como objetivo enfatizar a força das africanidades, do corpo e de algumas expressões artísticas afro-brasileiras como práticas decoloniais possíveis de ser trabalhadas no ensino superior. A metodologia adotada foi uma pesquisa bibliográfica bem como  uma exposição do acervo da autora a fim de apresentar experiências com as africanidades. Como resultado, aponta que docentes tomem também para si a responsabilidade de repensar suas práticas acadêmicas a partir da diversidade e das idiossincrasias dos sujeitos que a integram, na perspectiva de contribuírem para a constituição de uma universidade pluriversitária.

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Biografia do Autor

Teodora de Araújo Alves, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

É professora Titular, diretora artística, pesquisadora e gestora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Presidiu a Comissão de Criação do Curso de Licenciatura em Dança da UFRN, em 2009, onde atua como docente. É Diretora do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN desde 2008 e Coordenadora de Ações culturais, museológicas e de memória da PROEX/UFRN (2015-2017); Coordena o Comitê Gestor do Plano de Cultura da UFRN/Mais Cultura nas Universidades/MinC/MEC (2015-2020) e diversos projetos de extensão universitária, entre eles, Grupo de Dança da UFRN; Projeto Encantos da Vila (2004-2011), Programa Circuito cultural universitário (Une)versos das artes/PROEXT/MEC/SESu (2013/2015), Programa SigaArte na UFRN (desde 2013) e Programa Chão de Saberes. Possui Graduação em Educação Física e Mestrado e Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na Linha de Pesquisa Corporeidade e Educação. Possui livros e capítulos de livros publicados, entre eles: Herdanças de Corpos brincantes: saberes da corporeidade em danças afro-brasileiras; Encantos da Vila: uma experiência com arte, cultura e educação. É membro do Grupo de pesquisa Cirandar/UFRN e atua no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGArC/UFRN), ministrando componentes curriculares, desenvolvendo pesquisas e orientações em dança, corpo, corporeidade, arte, cultura e educação.

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Publicado

01-07-2020

Como Citar

ALVES, Teodora de Araújo. Aprendizes de si: percursos para sentir/pensar as artes e as culturas silenciadas. Revista Educação, Artes e Inclusão, Florianópolis, v. 16, n. 3, p. 147–172, 2020. DOI: 10.5965/198431781632020147. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/view/17543. Acesso em: 28 maio. 2024.

Edição

Seção

LEITURAS INCLUSIVAS DE MUNDO