Covid 19, humanidade ameaçada e a vontade latente pelo consumo de produtos de moda:

o eterno retorno do desejo?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1982615x14332021204

Palavras-chave:

Covid-19, Desejo de consumo de moda, Biopolítica

Resumo

Na primeira reabertura comercial pós-lockdown que visou minimizar o contágio da Sars-CoV-2, em várias capitais mundiais, assistimos a tumultuadas cenas de aglomeração causadas por consumidores ansiosos. Eles aguardavam a abertura das lojas de grandes marcas de moda e, como resultado, geraram um relevante faturamento para estas empresas. Embasados no pensamento dos filósofos: Lipovetsky, Deleuze e Foucault, promovemos uma reflexão sobre tal comportamento. Considerando o contexto ameaçador e, naquela altura, a exposição a um risco de proporções ainda desconhecidas, nos questionamos: o que impulsiona essa vontade de consumo? Tratamos da lógica que rege os sistemas capitalista e de moda, cuja relação histórica fez surgir um consumidor desejante.  Fugindo do pensamento dicotômico, consideramos que o sistema-razão é uma condição produzida constitutivamente ao sujeito, que tem na cultura de moda sua máxima expressão. Concluimos que, como a cultura de moda é a cultura do Ser, esse foi buscado como um consumo essecial.

Biografia do Autor

Flávia Zimmerle da Nóbrega Costa, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Professora Adjunto da Universidade Federal de Pernambuco do Núcleo de Design e Comunicação do Centro Acadêmico do Agreste. Doutora em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco. Membro Permanente do Programa de Pós-Graduação em Gestão, Inovação e Consumo da UFPE - Campos Agreste. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Administração - PROPAD | UFPE. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Consumo, Cotidiano e Desenvolvimento Social - PGCDS | UFRPE. Atua na área de Consumo e de Design (com ênfase em Moda), Participa de Extensão e Pesquisa, onde se interessa pelas áreas: culturas de consumo, discursos da indústria do entretenimento, mediação tecnológica do consumo, práticas e relações do consumidor.

Andréa Barbosa Camargo, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Doutora em Design pela Unesp Faac Bauru (2015); Mestre em Comunicação pela UFPE (2007); Especialista em Design da Informação, UFPE (2003), com graduação em Comunicação Visual pela UFPE (1989). Atualmente, é professora adjunta do Núcleo de Design e Comunicação, do Campus do Agreste, da UFPE, onde coordena o Laboratório de Tecnologia de Moda (LabModa). Leciona as disciplinas de Design de Superfície, Planejamento e Projeto de Coleção, atuando na área de projeto de criação em Design de Moda/Design de Superfície, e pesquisa a relação entre o design, a moda e a arte no contemporâneo.

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2008.

BERGER, Peter. L.; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade: Tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: editora Vozes, 2004.

DELEUZE, Gilles. Désir et plaisir (1976). In: Luiz B. L. Orlandi (Org.). A diferença. Campinas: UNICAMP, 2005.

DELEUZE. Gilles. Espinosa: filosofia prática. São Paulo: Escuta, 2002.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1. São Paulo: ed.34, 2010.

DESIDÉRIO, Mariana. Hermès reabre loja na China e vende US$ 2,7 milhões em um dia. Exame.com, 2020. Disponível em: <https://exame.com/negocios/hermes-reabre-loja-na-china-e-vende-us-27-milhoes-em-um-dia/#:~:text=Segundo%20a%20publica%C3%A7%C3%A3o%2C%20as%20vendas,2004%E2%80%9D%2C%20disse%20a%20marca>. Acesso em: 30 ago. 2020.

FFW. Uma imagem, tantas legendas. Qual a sua? Instagram, 2020. Disponível em: <https://www.instagram.com/p/CAfhx2nFEGp/> Acesso em: <22 mai. 2020>.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 2009.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: Curso dado no Còllege de France (1978-1979). SENELLART, M. (Ed.). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

FOUCAULT, Michel. Michel Foucault entrevistado por Hubert L. Dreyfus e Paul Rabinow. In: DREYFUS, H. L.; RABINOW, P. Michel Foucault: uma trajetória filosófica para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

LEMOS, Nina. Comércio reabre na França e clientes lotam Zara. O mundo não ia mudar? Universa. Disponível em: < https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2020/05/14/comercio-reabre-na-franca-e-clientes-lotam-zara-o-mundo-nao-ia-mudar/> Acesso: 30 ago. 2020.

LIPOVETSKY, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MESQUITA, Cristiane. Moda contemporânea: quatro ou cinco conexões possíveis. São Paulo: editora Anhembi Morumbi, 2010.

ORLANDI, Luiz Benedicto Lacerda. Marginando a leitura deleuzeana do trágico em Nietzsche. Revista Olhar, (online) v. 4, n. 7, p. 10-27, 2003.

RIBEIRO, Janaína. Shopping em Blumenau tem fila e aglomeração na reabertura pós quarentena. Exame.com. Disponível em: <https://exame.com/brasil/shopping-em-blumenau-tem-fila-e-aglomeracao-na-reabertura-pos-quarentena/> Acesso em: 22 mai. 2020.

RUCKENSTEIN, Minna. Playing Nintendogs: desire, distributed agency and potentials of prosumption. Journal of Consumer Culture, v.15, n.3, p.351-370, 2015.

Downloads

Publicado

2021-07-01