Eles precisam de remédio? O discurso medicalizante na escola contemporânea

Autores

  • Ademir Henrique Manfré Universidade do Oeste Paulista/UNOESTE.

Palavras-chave:

Medicamentação. Educação Escolar. Formação de Professores

Resumo

Este artigo aborda o tema medicalização e Escola. Fundamenta-se nas discussões teóricas críticas realizadas por Collares e Moysés (1996), Birman (2010), Oliveira (2014), Freitas (2007), Veiga-Neto (2002), Gagnebin (1994), Signor e Santana (2016), Bezerra JR. (2010), Menezes et al. (2014), Benjamin (1994) e Adorno (1995). Teve como objetivo refletir sobre o modo como a subjetividade contemporânea é reduzida aos aspectos instrumentalizantes da racionalidade tecnológica medicamentosa, limitando o indivíduo em suas possibilidades de experiência (Erfahrung). Partiu do seguinte questionamento: não seria a inquietude infantil uma resposta às relações de opressão sofridas pelos estudantes no interior das escolas? Metodologicamente, a nossa discussão foi sustentada por teóricos que seguem na direção contrária à racionalidade instrumental do pensar, indicando um distanciamento e apontando os limites do debate sobre medicalização da (na) educação na atualidade. Por fim, problematizamos o modo como o infantil é narrado no ambiente escolar, questionando os mecanismos que engessam a experiência da existência a partir das intervenções psicotrópicas.

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Biografia do Autor

Ademir Henrique Manfré, Universidade do Oeste Paulista/UNOESTE.

Meu nome é Ademir Henrique manfré. Sou docente junto aos cursos de licenciatura e de tecnologias. Ministro as seguintes disciplinas: Filosofia I, Psicologia da Educação, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, História da Educação I, História da Educação II, Psicologia Ambiental e Currículo e Escola. Desenvolvo pesquisas no campo da Inclusão Escolar, TDAH, TEA, Formação de professores, Gênero e sexualidade, Afetividade na docência, Currículo. Trabalho como professor em regime parcial junto à Universidade do Oeste Paulista/SP.

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Publicado

2019-04-01

Como Citar

MANFRÉ, A. H. Eles precisam de remédio? O discurso medicalizante na escola contemporânea. Revista Educação, Artes e Inclusão, Florianópolis, v. 15, n. 2, p. 26-49, 2019. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/view/10983. Acesso em: 30 nov. 2022.