Outras narrativas sobre estupro: A performance autobiográfica como forma de subversão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1414573101402021e0107

Resumo

Este artigo parte da experiência traumática do estupro e suas implicações em nível pessoal e social. A fim de investigar as possibilidades de intervenção na esfera pública por meio do teatro performativo, o estudo teve como base a abordagem autobiográfica, analisando trabalhos artísticos realizados sobre o tema. Partindo de uma perspectiva filosófica, foram investigadas estruturas de poder que mantêm a violência sexual, considerando também a subversão que pode emergir de suas brechas. Pensando no senso comum que rodeia o tema, a pesquisa teve como objetivo propor contra-narrativas que desencadeassem processos curativos por meio da atmosfera de denúncia recorrente na cena contemporânea.

Biografia do Autor

Camila Prado, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Atriz, performer e bacharelanda em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto.

Nina Caetano, Universidade Federal de Ouro Preto

Nina Caetano possui graduação em Língua e Literatura Francesas pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996), na qual também fez seu mestrado em Estudos Linguísticos (2000). É Doutora em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da USP e Professora Adjunta do Departamento de Artes e do Mestrado em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto. No PPGAC - IFAC/UFOP atua na Linha de Pesquisa Processos e Poéticas da Cena Contemporânea desenvolvendo a pesquisa Escritas performadas: a escritura do corpo no corpo da cidade. 

Referências

BERNSTEIN, Ana. A performance solo e o sujeito autobiográfico. Sala Preta, São Paulo, v.1 p. 91-103, 2001. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/salapreta/article/view/57010.

Acesso em: 22 nov. 2020.

CABALLERO, Ileana Diéguez. Liminaridades: práticas de emergência e memória. O Percevejo, Rio de Janeiro, v. 8, n. 2. p. 50-59, 2016. Disponível em: http://www.seer.unirio.br/index.php/opercevejoonline/article/view/6496. Acesso em: 8 jan. 2021.

CORNAGO, Óscar. Atuar “de verdade” – a confissão como estratégia cênica. Urdimento, Florianópolis, v. 2, n. 13, p. 99-111, 2009.

DAVIS, Ângela. Mulheres, Raça e Classe. São Paulo: Editora Boitempo, 2016.

DESPENTES, Virginie. Teoria King Kong. São Paulo: n-1 Edições, 2016.

FÉRAL, Josette. Além do limites – Teoria e Prática do Teatro. São Paulo: Editora Perspectiva, 2015.

FERNANDES, Sílvia. Performatividade e gênese da cena. Revista Brasileira de Estudos da Presença, Porto Alegre, v. 3, n. 2, p. 404-419, 2013. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/presenca/article/view/38137. Acesso em: 8 jan. 2021.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019. Acesso em novembro de 2020. Disponível em: http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Anuario-2019-FINAL-v3.pdf. Acesso em: 16 jul. 2020.

FOUCAULT, Michel. “A ética do cuidado de si como prática da liberdade”. In: Ditos & Escritos V – Ética, Sexualidade, Política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade – volume I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1999.

IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Dados do estupro no Brasil. Atlas da Violência. Disponível

em:https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/19/atlas-da-violencia-2019. Acesso em: 8 jan. 2021.

IRREVERSÍVEL. Gaspar Noé. França, 2002.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos. Brasília, 2012.

LEITE, Janaína. Autoescrituras performativas: do diário à cena. 2014. Dissertação (Mestrado em Artes Cênicas) - Escola de Comunicação e Artes - Universidade de São Paulo. São Paulo, 2014.

LORDE, Audre. Irmã Outsider: ensaios e conferências. São Paulo: Autêntica, 2019.

PAULINA. Santiago Mitre. Argentina: Telefe, 2016.

PERETTA, Éden. As cinco peles: a investigação de si como matriz dramatúrgica no ensino de dança. Congresso da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança – ANDA. 2012.

QUILICI, Cassiano Sydow. O ator-performer e as poéticas da transformação de si. São Paulo: Annablume, 2015.

SOUZA, Flávia Bello C. Consequências emocionais de um episódio de estupro na vida de mulheres adultas. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica). Pontífica Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2013.

Downloads

Publicado

2021-04-28

Como Citar

PRADO, C.; CAETANO, N. Outras narrativas sobre estupro: A performance autobiográfica como forma de subversão. Urdimento - Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 40, p. 1-28, 2021. DOI: 10.5965/1414573101402021e0107. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/urdimento/article/view/19375. Acesso em: 25 jul. 2021.

Edição

Seção

Dossiê Temático: Curadoria da Performance e Processos de Cura em Artes Cênicas