Sonhar a terra, suspender o céu: políticas do sonho para noites brancas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2175234614342022100

Palavras-chave:

Pandemia, Sonho, Yanomami, Ailton Krenak

Resumo

A pandemia nos colocou diante da iminência do fim do mundo. As imagens do fim se manifestam em sonhos e atravessam o imaginário ocidental. Como o Ocidente pode pensar além de si mesmo? A partir das leituras de Ailton Krenak e Davi Kopenawa, procuramos analisar os sonhos como outra forma de conhecimento e de relação com a realidade. Para isso, dois conceitos são fundamentais na crítica de Ailton Krenak à civilização ocidental: de humanidade e de mundo. A ideia de humanidade homogênea, apartada do mundo, tem levado ao fim dos vários mundos que coexistem na Terra. Pois o mundo já acabou para os povos que foram exterminados. Diante dos fins dos mundos, da queda do céu, podemos aprender com os sonhos yanomamis a suspender o céu como forma de adiar os fins. Assim, a política dos sonhos ameríndios nos fornece outras perspectivas de transformação dos corpos e da realidade na longa noite contemporânea de insônias e pesadelos políticos.

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Biografia do Autor

Francisco Freitas, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

Professor de filosofia do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e psicanalista.

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Publicado

2022-09-01

Como Citar

FREITAS, F. Sonhar a terra, suspender o céu: políticas do sonho para noites brancas. Palíndromo, Florianópolis, v. 14, n. 34, p. 100-114, 2022. DOI: 10.5965/2175234614342022100. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/palindromo/article/view/22262. Acesso em: 6 out. 2022.

Edição

Seção

Artigos Seção temática