Urbano e conectado: um perfil do meliponicultor do século XXI

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DOI:

https://doi.org/10.5965/223811712142022468

Palavras-chave:

Abelhas-sem-ferrão, Biodiversidade, Conservação., Meliponicultura

Resumo

As abelhas são responsáveis por um valioso serviço ecossistêmico, a polinização, fornecendo ainda a produção de mel, pólen ou saburá, própolis, entre outros. A criação de abelhas nativas vem crescendo, impulsionada pelas características particulares de cada espécie e de seus produtos. Logo, objetivou-se conhecer o perfil deste criador, chamado de meliponicultor seus interesses e motivações, bem como suas fontes de informação e sobre a dinâmica econômica dessa atividade na atualidade. Para isso utilizou-se um questionário semiestruturado, amplamente divulgado nas redes sociais, nos meses de abril e maio de 2020. Este contou com a participação de 718 criadores brasileiros e estrangeiros, dos quais 80,3% praticam a atividade por hobby, maioria iniciantes na atividade, tendo como principal objetivo o lazer e o consumo familiar do mel. Mais de 80% mantém as abelhas em meliponários em áreas urbanas. Dentre os produtos, o enxame é o mais comercializado, sendo preferidas espécies de fácil manejo, pouco defensivas e adaptadas à região, sendo os enxames também adquiridos através de iscas, resgate e divisão. A criação é realizada em caixas de diversos materiais, sendo o principal a madeira e as ferramentas são facilmente encontradas no comércio, bem como, de fácil improvisação. Os criadores citaram preocupações com desmatamento, aumento das áreas urbanas, queimadas, aquecimento global, agrotóxicos, ataque de pragas e furtos. Os meios digitas foi citado como a principal fonte de informações, seguidos por livros e pessoas próximas. Os criadores apontaram ainda que não confiam 100% nas informações que chegam até eles, independente da fonte.

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Publicado

2022-12-12

Como Citar

RUARO, E. L.; MEIRELLES, R. N.; UHLMANN, L. N. G.; PIRES, P. R. S. .; LEÃES, F. L. . Urbano e conectado: um perfil do meliponicultor do século XXI. Revista de Ciências Agroveterinárias, Lages, v. 21, n. 4, p. 468 - 480, 2022. DOI: 10.5965/223811712142022468. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/agroveterinaria/article/view/22445. Acesso em: 6 fev. 2023.

Edição

Seção

Artigo de Pesquisa - Ciência de Animais e Produtos Derivados