Teatro e Memória: Uma análise de Caranguejo Overdrive

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1414573101402021e0208

Palavras-chave:

Memória. Entrelugar. História. Dramaturgia.

Resumo

O que pode, nesse momento, as artes da cena? A imagem é a de um barco à deriva no oceano, no qual os tripulantes festejam a própria sorte (ou será a morte?), em um pacto coletivo no contrafluxo da vida. Com essa imagem, reflexo do momento político brasileiro, analiso Caranguejo Overdrive, dirigido por Marco André Nunes, com dramaturgia de Pedro Kosovski. Interessa investigar os motivos pelos quais foi censurado em 2019 e a relevância do debate sobre arte e memória histórica. Para isso, retomo o conceito de entrelugar do discurso latino-americano, desenvolvido por Silviano Santiago, em artigo dos anos 70, e sua revisitação quarenta anos depois, apontando para uma espiral do tempo, na qual o espetáculo nos convoca a retornar ao nosso mangue, a revolver nossos rastros e a reinventar o tempo que chega.

Biografia do Autor

Gabriela Lirio Gurgel Monteiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professora Associada do Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena (PPGAC) e do curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ).  

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Publicado

2021-04-28

Como Citar

Monteiro, G. L. G. (2021). Teatro e Memória: Uma análise de Caranguejo Overdrive. Urdimento - Revista De Estudos Em Artes Cênicas, 1(40), 1-17. https://doi.org/10.5965/1414573101402021e0208