Quebras: A pintura travesti como ato de (re)existência na Amazônia paraense

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/2175234617432025e0006

Palavras-chave:

Arte Contemporânea, Pintura , Travestis, Identidade de Gênero, Amazônia Brasileira

Resumo

Este artigo analisa a série de pinturas Quebras, da artista travesti Rafael Matheus Moreira, como um ato de (re)existência na Amazônia Paraense. A produção artística em questão questiona o cânone ocidental ao ressignificar gêneros clássicos da pintura, inserindo corpos travestis como protagonistas, em contraposição às representações historicamente fetichizadas ou marginalizadas. Inspirada no movimento popular Raio que o Parta, que utilizava cacos de azulejos para compor fachadas modernistas, a artista emprega a metáfora da “quebra” para simbolizar a desconstrução de olhares cisgêneros e a reconstrução de identidades travestis por meio da arte. O estudo tem como objetivo refletir sobre a pintura como gesto político de insurgência e celebração da existência trans, abordando temas como memória coletiva, resistência e subversão de narrativas hegemônicas. Metodologicamente, a pesquisa ancora-se em uma abordagem autobiográfica e etnográfica, articulando referências teóricas da arte queer, estudos de gênero e memória social. Como resultados, evidencia-se que a trajetória e o reconhecimento institucional da artista — com exposições em espaços como o MASP e premiações como o Arte Pará — configuram fissuras no sistema normativo da arte, afirmando a pintura como prática de cura, registro e reexistência. Conclui-se que a obra Quebras opera como um arquivo visual e afetivo, abrindo espaços para a visibilidade e a reinvenção de futuros possíveis para pessoas trans na Amazônia e além.

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Biografia do Autor

Rafaela Moreira, Universidade Federal do Pará

Mestra em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes da UFPA, atua como Artista Visual.

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Publicado

09-01-2026

Como Citar

MOREIRA, Rafaela. Quebras: A pintura travesti como ato de (re)existência na Amazônia paraense: xxxxxx. Palíndromo, Florianópolis, v. 17, n. 43, p. 1–23, 2026. DOI: 10.5965/2175234617432025e0006. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/palindromo/article/view/27581. Acesso em: 11 jan. 2026.