O Cântico da Terra: análise tensiva em Coral N° 2, de Estércio Marquez Cunha

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https://doi.org/10.5965/2525530411012026e0103

Résumé

Este artigo examina a peça Coral nº 2, do compositor goiano Estercio Marquez Cunha, a partir da semiótica tensiva de Claude Zilberberg, com o objetivo de compreender de que modo determinados gestos musicais configuram efeitos de sentido associados à memória, ao território e à experiência afetiva no contexto da música coral contemporânea em Goiás. Parte-se do entendimento de que, embora a produção coral goiana tenha sido objeto de estudos de caráter histórico, pedagógico e institucional, ainda são pouco frequentes as análises musicais que tomam a obra como campo de investigação do sensível, especialmente em diálogo com a escuta e a performance. Nesse sentido, a análise aqui proposta não se realiza como um fim em si mesma, mas como um instrumento de mediação entre composição, interpretação e experiência perceptiva, tomando a partitura como texto poético-musical vivo, em que as dimensões sonoras e simbólicas se entrelaçam. Após o exame panorâmico da composição, a análise aprofunda-se em três níveis complementares: (1) direções tensivas, (2) modulações aspectuais e (3) operações perceptíveis, evidenciando o percurso sensível da obra. É revelado um percurso tensivo marcado por lentidão, silêncio e densidade harmônica que evocam paisagens afetivas, ancestralidade e memória coletiva, atualizando o imaginário cultural goiano. Ao destacar a articulação entre plano de expressão e plano de conteúdo, o presente estudo demonstra como a obra configura um cântico da terra, em que a tradição coral de Goiás se reafirma como acontecimento sensível e se firma como bem cultural de natureza imaterial.

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Raimundo Vagner Leite de Oliveira, UFG

Possui Licenciatura em Música pela Universidade de Brasília – UnB, Especialização em Educação Musical pela Universidade Candido Mendes - UCAM/PROMI­NAS; Especialização em Regência pela Faculdade de Ciência e Educação – FA­CEP/Alpha e e Mestrado em Música pela UnB. Foi professor substituto na Uni­versidade Federal do Tocantins – UFT, e, por um breve período, tutor do curso de Licenciatura em Música da UAB/UnB polo Palmas-TO e professor Formador/Orientador de TCC do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Campos Belos. Participa do Grupo de Pesquisa Educação Musical Escolar e Autobiografia - GEMAB da UnB. É organi­zador e autor de livros e de arti­gos publicados em periódicos Qualis A1 e A4. É avaliador ad hoc da Revista de Ciências Humanas – CFH/UFSC e da Revista Brasileira de Educação do Campo – RBEC/UFT. 

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2079-6619

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq. br/3889483952374250

                                                                                                   

Roberto Antonio Penedo Amaral, Universidade Federal do Tocantins

Pós-Doutor em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás (UFG), Doutor em Educação, Mestre em Edu-cação Brasileira e Licenciado em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG). Psicanalista em Formação (Cursando Pós-Graduação em Clínica Psicanalítica Lacaniana pelo Instituto ESPE). É Professor Associado 2 na Universidade Federal do Tocantins - UFT. Professor do Curso de Licenciatura em Filosofia, do Curso de Especialização em Ética e Ensino de Filosofia, do Mestrado Profissional em Filosofia - PROF-FILO e Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Performances Culturais-PPGPC da Faculdade de Ciências Sociais - UFG. Áreas de atuação: filosofia e literatura; fundamentos da educação; filosofia e educação; hermenêutica e educação; fenomenologia e educação; imaginário e educação; estética e educação; literatura e educação; ensino de filosofia; performances culturais; psicanálise lacaniana. Escritor e psicanalista.

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Publiée

2026-05-19

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OLIVEIRA, Raimundo Vagner Leite de; PENEDO AMARAL, Roberto Antonio. O Cântico da Terra: análise tensiva em Coral N° 2, de Estércio Marquez Cunha. Orfeu, Florianópolis, v. 11, n. 1, p. e0103, 2026. DOI: 10.5965/2525530411012026e0103. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/27973. Acesso em: 21 mai. 2026.