O timbre como demarcador de territórios culturais na música eletroacústica

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DOI :

https://doi.org/10.5965/2525530411012026e0109

Mots-clés :

Música eletroacústica, Timbre, Teoria e análise, Estudos culturais, Decolonialismo

Résumé

Partindo do campo da teoria e análise musical em diálogo com estudos culturais, o objetivo deste artigo é investigar como o timbre pode funcionar como marcador de territórios sociais, culturais e identitários na música eletroacústica, ainda que este gênero supostamente enfatize a abstração. A partir de experiências práticas e análises de obras de autores como Fernando Iazzetta, Denis Smalley, Pierre Schaeffer, Pierre Henry e Coriún Aharonián, o estudo mostra como o uso de determinados sons, como o do berimbau, da gaita de fole ou de flautas nativas, mesmo que transformados, evocam práticas culturais específicas, podendo funcionar como signos de identidade e diferenciação social. Enquanto que em alguns casos o uso desses timbres pode reforçar estereótipos e exotizações coloniais, em outros pode assumir caráter crítico e decolonial, afirmando resistências e pertencimento cultural. Conclui-se que o timbre, na música eletroacústica, é um elemento central não apenas na dimensão estrutural do som, mas também na sua dimensão simbólica, podendo representar culturas e ensejar narrativas.

 

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Bibliographies de l'auteur

Rafael Fajiolli de Oliveira, Santa Marcelina Cultura e USP

Rafael Fajiolli de Oliveira é supervisor educacional no Projeto Guri (regional São José dos Campos). Iniciou seus estudos no Conservatório Municipal Cassilda Becker, em Pirassununga, onde cursou violão erudito, harmonia, história da música, folclore brasileiro, piano complementar e percepção musical. Graduou-se em Música (Licenciatura) pela FFCLRP-USP e obteve mestrado e doutorado em Musicologia pela ECA-USP, integrando o Laboratório de Teoria e Análise Musical (LATEAM), sob orientação do Prof. Dr. Rodolfo Coelho de Souza. Seus interesses abrangem a análise da música contemporânea brasileira (séculos XX e XXI), a educação musical, a composição para instrumentos acústicos e a música eletroacústica. Como formação complementar, estudou composição com o professor Marcus Siqueira.

Rodolfo Coelho de Souza, USP

Professor Titular do Departamento de Música da Universidade de São Paulo, vinculado à Faculdade de Filosofia Ciência de Letras de Ribeirão Preto. Atua como orientador de doutorado na Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da USP. Foi Professor do Departamento de Artes da UFPR (2000-2005). Graduou-se em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1976), fez Mestrado em Musicologia na ECA-USP (1994) e Doutorado em Composição Musical na University of Texas at Austin (2000). Em 2009 realizou pesquisas de pós-doutorado na University of Texas at Austin com E. Antokoletz e R. Pinkston. Atua nas áreas de Composição Musical, Tecnologia da Música e Musicologia Analítica. Foi coordenador do Lacomus - Laboratório de Computação Musical da UFPR (2001-2004) e atualmente é coordenador do Lateam - Laboratório de Teoria e Análise Musical do DM-FFCLRP-USP. Foi presidente da TeMA - Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (2019-2022) e editor do periódico Musica Theorica da TeMA (2016-2019). Entre suas composições musicais destacam-se: O Livro dos Sons (2010) para orquestra e sons eletrônicos, Concerto para Computador e Orquestra (2000) e Tristes Trópicos (1991). É bolsista de Produtividade em Pesquisa PQ2 do CNPq.

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Publiée

2026-05-19

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OLIVEIRA, Rafael Fajiolli de; SOUZA, Rodolfo Coelho de. O timbre como demarcador de territórios culturais na música eletroacústica. Orfeu, Florianópolis, v. 11, n. 1, p. e0109, 2026. DOI: 10.5965/2525530411012026e0109. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/27784. Acesso em: 21 mai. 2026.