Passado fora da lei: memórias do sertão nordestino entre a colonialidade e a decolonialidade

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DOI:

https://doi.org/10.5965/2175180317462025e0105

Palabras clave:

Usos do passado, Sertão, Nordeste brasileiro, Memória, Cangaço

Resumen

Este trabalho trata de um passado constantemente atualizado em que são pautadas memórias do sertão nordestino brasileiro. Diz respeito ao modo de vida fora da lei conhecido popularmente como cangaço. Sua intenção é problematizar diferentes formas de atualização desse passado ao longo do tempo, especialmente entre o começo do século XX e o início do século XXI, notando distintos modos de ver e dizer o tema que indicam rastros de colonialidade e decolonialidade do ser, do poder e do saber em confronto. Com base em discussões alinhadas aos interesses da história do tempo presente, argumento que esse procedimento permite rastrear leituras de tal passado que variam desde a tendência à naturalização da animalização das vidas no cangaço até a ênfase nas lutas contra a desumanização de seus corpos na contemporaneidade, a partir de imagens que marcam a vida e a morte de cangaceiros e cangaceiras. Com tais reflexões, o texto pretende contribuir com o debate sobre conflitos em torno desse passado e tensões que envolvem a forma como se lida com seu legado no presente e para o futuro.

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Publicado

2026-03-12

Cómo citar

RAMOS FILHO, Vagner Silva. Passado fora da lei: memórias do sertão nordestino entre a colonialidade e a decolonialidade. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 17, n. 46, p. e0105, 2026. DOI: 10.5965/2175180317462025e0105. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180317462025e0105. Acesso em: 15 mar. 2026.

Número

Sección

Dossiê

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