Ações afirmativas na educação superior: redistribuição, reconhecimento e representação em disputa

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5965/19847246272026e0203

Palabras clave:

ações afirmativas, educação superior, justiça social

Resumen

Este artigo analisa a trajetória das políticas de ações afirmativas no Brasil, situando seus marcos históricos e normativos, em especial a Lei nº 12.711/2012, conhecida como Lei de Cotas, e suas revisões recentes. Partindo do referencial simbólico do Sankofa, que evoca a necessidade de olhar para o passado a fim de construir o presente e o futuro, o texto recupera o papel do Movimento Negro, de intelectuais e de atores sociais diversos na luta pela democratização da educação superior e pela consolidação das ações afirmativas como política de Estado. O objetivo central é compreender os avanços, limites e tensões dessas políticas na graduação e na pós-graduação, problematizando seu potencial emancipatório frente ao racismo e às desigualdades persistentes. Metodologicamente, o estudo articula a teoria da justiça social tridimensional de Nancy Fraser – redistribuição, reconhecimento e representação – com a abordagem cognitiva de políticas públicas (Muller; Surel) e a análise crítica do discurso (Fairclough; van Dijk). Essa tríade teórico-metodológica permite examinar tanto a formulação normativa e os enquadramentos cognitivos que estruturam a política de cotas quanto os discursos hegemônicos e contra-hegemônicos que disputam sua legitimidade. Os resultados evidenciam que, embora as ações afirmativas tenham ampliado significativamente o acesso de estudantes negros, indígenas e de baixa renda às universidades, persistem desafios relacionados à permanência, à descolonização dos currículos, à ampliação da representatividade docente e ao fortalecimento da pós-graduação. Conclui-se que tais políticas, longe de constituírem concessão, configuram-se como direito histórico e horizonte de justiça social, fundamentais para a democratização da universidade e da sociedade brasileira.

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Biografía del autor/a

Andréia da Silva Quintanilha Sousa, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Pós-doutora em Educação pela Universidade do Algarve (UAlg) - Portugal. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), lotada no Departamento de Fundamentos e Política da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Emanuelle Lourenço do Nascimento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professora da rede municipal do município de São Gonçalo do Amarante - RN.

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Publicado

2026-05-27

Cómo citar

SOUSA, Andréia da Silva Quintanilha; NASCIMENTO, Emanuelle Lourenço do. Ações afirmativas na educação superior: redistribuição, reconhecimento e representação em disputa. PerCursos, Florianópolis, v. 27, p. e0203, 2026. DOI: 10.5965/19847246272026e0203. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/percursos/article/view/28048. Acesso em: 29 may. 2026.

Número

Sección

Dossiê 2026/2 “Ações Afirmativas na Pós-Graduação: evidências e perspectivas em disputa"