Música, branquitude e experimentalismo: perspectivas críticas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1984724622502021319

Palavras-chave:

branquitude, pacto narcísico da branquitude, música experimental, estudos decoloniais

Resumo

O presente artigo investiga a perpetuação do racismo epistêmico no campo musical, iniciando no Brasil colônia e seguindo em direção aos contextos contemporâneos. Observando pressupostos uni-versalizantes vinculados ao enfoque na materialidade do som apartado de implicações contextuais sócio-políticas, delineiam-se tensões e incompatibilidades entre o experimentalismo musical e o ati-vismo político. Por fim, o artigo aponta iniciativas recentes de otencial contra-colonial no contexto experimental.

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Biografia do Autor

Felipe Merker Castellani, Universidade Federal de Pelotas – UFPel

Mestre e doutor em música pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Professor da Universidade Federal de Pelotas – UFPel.

Manoel Pêssoa de Lima

Doutor em Performer-Composer pelo California Institute of the Arts –CalArts, Estados Unidos.

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Publicado

2021-12-22

Como Citar

CASTELLANI, F. M.; LIMA, M. P. de. Música, branquitude e experimentalismo: perspectivas críticas. PerCursos, Florianópolis, v. 22, n. 50, p. 319 - 351, 2021. DOI: 10.5965/1984724622502021319. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/percursos/article/view/19757. Acesso em: 25 jan. 2022.