Sobre O Meio (Sem Fim-Nem-Começo)

Autores

Palavras-chave:

diagrama, nomadismos, rizoma, processos Artísticos, processos de escrita

Resumo

Ao pensar um processo artístico em todas suas camadas (im)possíveis, é inevitável que haja uma constante movimentação, um vaivém, uma errância conectada via retroalimentação em ressonâncias – talvez uma “ressonerrância” – criando pontes e pontos de partida e chegada, e vice-versa: ao mesmo tempo pergunta e resposta na pesquisa e prática artística. Em desterritorializações e reterritorializações constantes se tece uma rede heterogênea, teia rizomática, sem centro, começo ou fim. Feita de linha(s) de fuga(s), traz à tona questões, (re)arranjos e (re)configurações. Há um andarilhar errático, um nomadismo acontecendo de marco zero a marco zero – estes não fixos eles mesmos –, tomando desvios pelo fora, no funcionamento e operação de uma espécie de sistema ou máquina abstrata que põe em ação o pensar e o fazer, indissociáveis, embora carregando especificidades e singularidades cada – como se numa simbiose. Como se dá um processo e quando se dá um processo? Processos são disparados a cada esbarrão entre situações: ideias, leituras, escutas, escritas, trabalhos. Ainda assim, para que esse seja disparado e o esbarrão aconteça, é preciso que antes algo seja posto em movimento: situações outras – dando início a um andarilhar, caminhar, um nomadismo não necessariamente envolvendo um deslocamento do corpo, mas podendo acontecer numa estante, mesmo num processo de escrita. Tal movimento é o que propulsiona, numa retroalimentação, um processo a operar – inseparável do movimento e dos nomadismos das linhas de fuga disparadas dos esbarrões: germinadores de meios, marcos zeros, pontos de passagem. Um processo nômade transborda margens de erro: não do erro enquanto rasura (embora a ideia seja interessante a ser investigada), mas do erro enquanto errância. Margens de erro, quando perfuradas pelo caminhar claudicante e nômade do artista pesquisador, dão vazão a vibrações, reverberações e ressonâncias.

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Biografia do Autor

Matheus Abel Lima de Bitencourt, Universidade do Estado de Santa Catarina

Artista e doutorando na linha de Processos Artísticos Contemporâneos do Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGAV/UDESC). Investiga processos de escrita e modos de leitura, pensando a partir do dispositivo diagrama.

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Publicado

2022-10-06

Como Citar

BITENCOURT, M. A. L. de. Sobre O Meio (Sem Fim-Nem-Começo). Revista Apotheke, Florianópolis, v. 8, n. 2, p. 132-142, 2022. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/apotheke/article/view/22388. Acesso em: 9 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos Seção temática