Humor e política nas caricaturas de Aluísio Azevedo

Marilda Lopes Pinheiro Queluz

Resumo


O objetivo deste artigo é refletir sobre as caricaturas políticas de Aluísio Azevedo (1857-1913), publicadas em O Fígaro, em 1876, e em O Mequetrefe, em 1877. Nesses desenhos, o humor gráfico e a influência positivista e anticlerical da imprensa do final do século XIX dão o tom das estratégias visuais contra a monarquia e em defesa da república. Entre a busca de um paraíso perdido e a consolidação de um futuro republicano e nacionalista, desenha-se a tentativa de estabelecer a soberania de um povo caracterizado em suas diferentes faces. As representações do Brasil e do povo brasileiro assumem um olhar romântico e idealizado na figura heroica do índio e do mártir crucificado, pluralizando as críticas sobre o império, sobre a história e o próprio papel da arte.

 

Palavras-chave: AZEVEDO, Aluísio, 1857-1913; Caricatura; Humor gráfico.


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DOI: https://doi.org/10.5965/175180308182016134

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