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A pesquisa e a experiência de uma residência artística:
o Laboratório de Atuação ÁHQIS em Fortaleza
André Carreira
Eduarda Leite
Guilherme Augusto Nunes dos Santos
Suelen Grimes
Para citar este artigo:
CARREIRA, André; LEITE, Eduarda; SANTOS, Guilherme
Augusto Nunes dos; GRIMES, Suelen. A pesquisa e a
experiência de uma residência artística: o Laboratório de
Atuação ÁHQIS em Fortaleza.
Urdimento
– Revista de
Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 2, n. 58, ago. 2026.
DOI: 10.5965/1414573102582026e303
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Florianópolis, v.2, n.58, p.1-32, ago. 2026
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A pesquisa e a experiência de uma residência artística: o Laboratório de Atuação ÁHQIS em Fortaleza1
André Carreira2 | Eduarda Leite3
Guilherme Augusto Nunes dos Santos4 | Suelen Grimes5
Resumo
Este material apresenta um registro da residência artística realizada pelo Laboratório de Atuação ÁHQIS
no Teatro Carlos Câmara (Fortaleza) como uma experiência que associa pesquisa a partir da criação
com processos pedagógicos, e uma prática extensionista. O texto e o dossiê fotográfico documentam
as atividades de apresentação de espetáculos, leituras dramáticas, oficinas e palestras, como forma
de refletir sobre a pesquisa como base de uma experiência formativa desenvolvida em um grupo de
pesquisa acadêmica.
Palavras-chave
: Atuação teatral. Teatro de Intensidades. Criação como pesquisa. Experiência
pedagógica.
Research and Experience in an Artist-in-Residence Program: The ÁHQIS Acting Laboratory in Fortaleza
Abstract
This material documents the artistic residency conducted by the ÁHQIS Acting Laboratory at the Carlos
Câmara Theatre (Fortaleza) as an experience that integrates practice-based research, pedagogical
processes, and University Extension. The text, together with the accompanying photographic dossier,
records performances, staged readings, workshops, and lectures, offering a reflection on research as
the guiding principle of an educational experience developed within the framework of an academic
research group.
Keywords:
Acting. Theater of Intensities. Creative practice as research. Pedagogical experience.
La investigación y la experiencia de una residencia artística: el Laboratorio de Interpretación ÁHQIS en
Fortaleza
Resumen
Este material presenta un registro de la residencia artística realizada por el Laboratorio de Actuación
ÁHQIS en el Teatro Carlos Câmara (Fortaleza) como una experiencia que asocia investigación a partir
de la creación con procesos pedagógicos, y una práctica extensionista. El texto y el dossier fotográfico
documentan las actividades de presentación de espectáculos, lecturas dramáticas, talleres y
conferencias, como forma de reflexionar sobre la investigación como base de una experiencia formativa
desarrollada en un grupo de investigación académica.
Palabras-clave
: Actuación teatral. Teatro de Intensidades. Creación como investigación. Experiencia
pedagógica.
1 Revisão ortográfica, gramatical e contextual realizada por Eduardo Ribeiro Leite. Licenciada em Letras Português pela
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
2 Pós-Doutorado. Universidade de Évora, UE, Portugal. Pós-Doutorado. Consejo Superior de Investigaciones Científicas, CSIC,
Espanha. Pós-Doutorado. New York University, NYU, Estados Unidos. Doutorado em Teatro. Universidad de Buenos Aires,
UBA, Argentina. Graduação em Licenciatura em Educação Artística. Universidade de Brasília, UnB, Brasil. Professor Titular
Departamento. de Artes Cênicas e do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas na Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC). Pesquisador do CNPq, diretor teatral. Coordenador do Laboratório de Atuação ÁHQIS.
andre.carreira@udesc.br http://lattes.cnpq.br/4224540229202107 https://orcid.org/0000-0003-1846-4551
3 Doutoranda e Mestrado em Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atriz.!!!!!!
ribeiroleiteeduarda@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/2942419562311478 https://orcid.org/0009-0000-7705-4873
4 Mestrando em Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Ator, professor e pesquisador.
guilhermeaugut@gmail.com http://lattes.cnpq.br/8361972539504264
https://orcid.org/0009-0002-5888-2221
5 Mestre em Artes Cênicas PPGAC/UDESC. Doutoranda e Mestrado em Artes Cênicas Universidade do Estado de Santa
Catarina (UDESC). Atriz. suelengrimes@live.com http://lattes.cnpq.br/9632092958211481
https://orcid.org/0000-0001-7547-4495
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Apresentação
O Laboratório de Atuação ÁHQIS6, sediado em Florianópolis, no Centro de
Artes, Design e Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina –
CEART/UDESC, desenvolve uma pesquisa sobre procedimentos de atuação desde
2007 de forma contínua7. Nos últimos dez anos começamos a trabalhar a partir
do conceito do espetáculo-laboratório, o que implica iniciar a pesquisa em sala de
ensaio e desdobrá-la durante as apresentações. Para isso, são organizadas
sistematicamente temporadas e mostras, criando espaços de experimentação
para as atrizes e os atores do Laboratório que está conformado por estudantes
pesquisadores da graduação, do mestrado e do doutorado.
A partir dessa perspectiva, um dos procedimentos centrais do trabalho é a
criação dos espetáculos-laboratório que se baseiam na premissa de buscar a
menor distância possível entre o ensaio e as apresentações. Tratar que nossas
apresentações continuem funcionando como espaço de experimentação implica
em antecipar a incorporação dos elementos como figurinos e cenário, de modo
que estas materialidades estimulem o jogo entre o elenco, para, posteriormente,
se desdobrar no encontro com o público. O que se busca é que atores e atrizes
intensifiquem suas pesquisas pessoais quando estão diante do público.
Nossa pesquisa sobre atuação utiliza uma série de referências entre as quais
destacamos, a ideia de um teatro de intensidades, uma atuação por estados, e a
experimentação com os elementos de risco na cena. O Laboratório toma a atuação
como o elemento essencial do teatro, e como base do processo criativo.
6 Atividade do Grupo de Pesquisa Sobre Processos de Criação Artística (CNPq/UDESC)
7 O ÁHQIS tem como prática publicar periodicamente livros com registro de suas pesquisas. Entre estes livros
estão:
Ensaios sobre atuação
: utopias de vagalumes (ed. Rizoma, Itajaí, 2023);
Escritos de Tadeusz Kantor
:
atuação e busca de estados como procedimento(ed. Rizoma, Itajaí, 2023);
Exercícios de atuação práticas no
aqui e agora
(1ª. Ed. Gramma, Rio de Janeiro, 2020/2ª ed. Rizoma, Itajaí, 2023);
Atuação por estados (práticas
de pesquisa e criação)
(Ed. Gramma, Rio de Janeiro, 2020).
Falas sobre o coletivo Entrevistas sobre teatro
de grupo
(Argus-a, Los Angeles, 2015); Teatro e
experiências do Real
(quatro estudos) (Argus-a, Los Angeles,
2015).
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A Residência
Em abril de 2026 vivemos a experiência de realizar uma residência artística
no Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza (CE), durante a qual apresentamos cinco
espetáculos-laboratórios8:
Um Homem Que Se Afoga
(2026);
Ensaio Para Se Tornar
Uma Cadela
ou
Olha Que Bonita Era
(2024);
As Razões do Bosque
(2025);
Teste de
Elenco
ou
Se A Terra É Plana Eu Estou Caindo da Beirada
(2025) e
Pátrio Poder
(2012), além disso oferecemos uma Oficina de Atuação por Estados para atores e
atrizes da cidade9.
O Teatro Carlos Câmara10, que foi inaugurado em 1974, é um dos
equipamentos de cultura relacionados com o Instituto Dragão do Mar (IDM), e faz
parte da estrutura cultural do Estado do Ceará. O Teatro tem uma sala frontal para
400 espectadores, com duas plateias, e atualmente conta com uma consistente
estrutura de iluminação e sonoplastia, gerida por uma equipe de quatro técnicos.
O registro e as reflexões sobre essa experiência que apresentamos aqui, são
um eco da residência feita no Teatro Carlos Câmara. Atividades deste tipo fazem
parte da estratégia do Laboratório de Atuação do ÁHQIS, que implica em relacionar
a prática da cena com a elaboração conceitual. A articulação entre prática artística,
prática pedagógica e construção de conhecimento, é fundamental para o foco de
nossa pesquisa sobre procedimentos de atuação.
A programação da residência no Teatro Carlos Câmara, além das
apresentações dos espetáculos-laboratório e da Oficina de Atuação por Estado,
mencionadas anteriormente, também contou com duas leituras dramáticas de
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Um homem que se afoga
– Elenco: Guilherme Augusto, Nícolas Dorvalino, Thor de Almeida, Vinicius Colla,
Winicius Michels. Direção de André Carreira e Codireção de Eduarda Leite.
Ensaio para se tornar uma cadela ou olha que bonita era
– Vinicius Colla e Winicius Michels.
As razões do bosque
– Elenco: André Francisco, Lara Matos, Rod Bratti, Suelen Grimes. Direção de André
Carreira e Codireção de Eduarda Leite.
Teste de Elenco
– Elenco: Eduarda Leite, Guilherme Augusto, Kauany de Lima, Nícolas Dorvalino, Suelen
Grimes, Direção de André Carreira.
Pátrio Poder
– Atuação: Narciso Telles, Direção: André Carreira, Produção Karine Silva.
9 A oficina do ÁHQIS é organizada por uma equipe formada por Eduarda Leite, Guilherme Augusto, Suelen
Grimes e Victoria Werner, com a colaboração de André Carreira.
10 Atualmente o teatro é dirigido por Vanéssia Gomes.
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novos projetos do laboratório11:
Balões vermelhos
e
O amor é contingente
. Além
disso, oferecemos uma palestra sobre Teatro e Acessibilidade com a atriz e
professora Dra. Lara Matos da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
e da Fundação Catarinense de Educação Especial – FCEE, e uma mesa de
conversa sobre direção e atuação, com os professores Dr. André Carreira
(ÁHQIS/UDESC) e Dr. Héctor Andrés da Universidade Federal do Ceará.
Oficina de atuação: atuar no aqui e agora
A oficina que ministramos teve como foco a ideia de uma atuação no aqui e
agora a partir do procedimento de uma atuação por estados, e contou com cinco
aulas de quatro horas de duração, durante as manhãs da programação do evento.
A oferta desta oficina é uma das ações que o Laboratório vem desenvolvendo, e
tem como objetivo produzir um espaço de formação e compartilhamento técnico,
bem como estimular a formação docente dos e das pesquisadoras/es do próprio
Laboratório.
Consideramos o compartilhamento de procedimentos e exercícios de
atuação que utilizamos no Laboratório, uma forma de incrementar os processos
de pesquisa pois, ministrar a oficina implica em um passo chave na elaboração do
pensamento coletivo. No caso desta experiência delimitamos como eixo abordar
a ideia da atuação enquanto prática que se articula com a hipótese do espetáculo
como um propiciador de acontecimentos.
Orientados pelo objetivo de associar pesquisa e formação, organizamos a
residência de modo que as pessoas que participassem da oficina pudessem
assistir (durante a tarde e início da noite) aos espetáculos-laboratório que estavam
acompanhados de sessões de conversas com os elencos e com a direção. Assim,
estimulamos que as pessoas inscritas na oficina tivessem a possibilidade de ver
como os atores e atrizes do Laboratório trabalham com os procedimentos que
eram experimentados nas aulas matutinas.
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Balões Vermelhos
– Elenco: Narciso Telles e Lara Matos. Direção de André Carreira.
O amor é contingente
– Elenco: Eduarda Leite, Lara Matos e Suelen Grimes. Direção de André Carreira.
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Durante os quatro dias de oficina utilizamos exercícios que fazem parte da
rotina do Laboratório, de modo a criar um ambiente o mais próximo possível do
nosso trabalho cotidiano. No último dia da oficina realizamos um exercício de longa
duração como aproximadamente 3 horas continuadas (com textos memorizados),
utilizando o próprio cenário dos espetáculos. As pessoas foram convidadas a trazer
figurinos que quisessem utilizar em cena, roupas que representassem algo para si
e que as mobilizasse afetivamente.
Este exercício, que encerrou a oficina, propiciou que em pouco tempo fosse
possível perceber como a intensidade experimentada nas atuações, e o jogo com
a ficção e o espaço cenográfico no palco, produziu materiais consistentes como
base de possíveis processos de criação. Isso fez com que a equipe da oficina
percebesse que o exercício poderia se tornar rapidamente em um espetáculo-
laboratório se tivéssemos proposto, previamente, uma estrutura dramatúrgica um
pouco mais elaborada.
Relacionamos essa observação com algo fundamental da forma de trabalhar
do Laboratório de Atuação ÁHQIS, isto é, criar exercícios a partir da
experimentação, mas sempre buscando formas de apresentações que nos
ofereçam possibilidade de seguir com a pesquisa técnica de atuação junto a um
público.
O Laboratório, desde o evento que comemorou os nove anos (2016) de sua
fundação, adotou a metodologia de promover oficinas. Isso constituiu um
importante instrumento que nos ajuda a experimentar procedimentos e
dispositivos relacionados com nossa pesquisa, mas com pessoas de provenientes
de diferentes formações técnicas.
Nos últimos dois anos, sistematizamos, com uma equipe específica entre os
integrantes do Laboratório, um plano pedagógico que orienta a realização de
oficinas nas diversas cidades que visitamos em nossas viagens de pesquisa.
A condução compartilhada das oficinas ocorreu pela primeira vez durante a
participação na Mostra Fringe, do Festival de Curitiba (2025). Logo realizamos outra
edição durante uma residência de pesquisa organizada pela Universidade Federal
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da Integração Latino-Americana (UNILA) em Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de
Itaipu (PR). Em nossa visita ao Rio de Janeiro, onde realizamos apresentações em
espaços da UNIRIO e da UFRJ, organizamos uma oficina conjunta com o grupo de
pesquisa da Professora Dra. Tatiana Mota Lima (UNIRIO). Em 2026 realizamos uma
nova oficina no evento comemorativo do Grupo Aldeia Teatral da cidade de
Machadinho, RS.
Ao partilharmos nossa perspectiva de pesquisa sobre procedimentos de
atuação percebemos a importância de elaboração do vocabulário que
compartilhamos no nosso dia a dia12. Assim, conduzir as aulas também foi uma
forma de nos confrontar com as maneiras de pensar os procedimentos que cada
um de nós desenvolveu, e como isso se articula com a pesquisa coletiva. No
entanto, é importante observar que em um processo de pesquisa que está
associado com a formação tanto no curso de graduação como na pós-graduação,
é necessário compreender as particularidades que marcam a prática de cada uma
e cada um de nós enquanto atrizes e atores do Laboratório.
Esta pesquisa tem como centro a experiência de quem atua, e ainda que
todas as pessoas partam de propostas e procedimentos comuns, surgem, e se
consolidam, distintas maneiras de experimentar com os materiais de atuação. Isso
também implica em uma permanente discussão e construção conceitual. Desta
forma, ideias muito importantes para o Laboratório, tais como intensidades,
estados, microficções13, são postos à prova, e reelaboradas permanentemente,
especialmente quando isso é feito no contexto de uma prática pedagógica.
12 No ano de 2026 o Laboratório de Atuação ÁHQIS está publicando um livro que registra a experiência de
pesquisa de toda a equipe nos últimos cinco anos. Nesta publicação incluímos um léxico que explora os
principais termos que utilizamos cotidianamente no nosso trabalho laboratorial.
13 Intensidades, Estados e Microficções são ideias teórico-práticas utilizadas nas oficinas para falar sobre os
procedimentos de atuação que utilizamos. Nesse sentido, resumidamente, intensidades podem ser
entendida como uma modulação que busca aprofundar o estado atingido, ampliando a reverberação
psicofísica experimentada. Estados são impulsos produzidos através da percepção das sensações vividas
por quem atua, e se alteram de forma estimulante durante o processo da atuação. Microficções são um
procedimento para o jogo pessoal da atriz/ator, e se baseia no uso de pequenas histórias que formulam
uma ficção que as atrizes podem produzir durante o processo de atuação para preencher ou atribuir sentido
para suas ações. Para melhor aprofundamento, consultar a bibliografia do Laboratório de Pesquisa ÁHQIS.
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Apresentações dos espetáculos-laboratório
As apresentações feitas no palco do Teatro Carlos Câmara utilizaram o
mesmo cenário que foi originalmente criado para o espetáculo-laboratório
Uma
Mulher que se afoga
14, cuja estreia foi em 2023. A utilização de um único cenário
se deveu a uma proposta de reforçar o foco no trabalho da atuação, chamando
menos a atenção para encenações sem separado. Deste modo, quem assistiu mais
de uma das apresentações realizadas durante a residência, pode constatar que os
espetáculos funcionavam, principalmente, como espaço para o trabalho
experimental dos atores e atrizes. A utilização da mesma ambientação espacial
também funcionou como um jogo interno da equipe, tal como fizemos na Mostra
ÁHQIS em 2025, oportunidade na qual também fizemos aulas da disciplina ditada
pelo prof. Carreira no nosso cenário.
O uso do mesmo cenário pelos demais espetáculos implicou, eventualmente,
apenas algumas pequenas alterações no posicionamento dos móveis e da
iluminação. O cenário original estava composto por uma grande mesa de madeira,
seis cadeiras, dois bancos e um armário, tudo circundado por cortinas brancas que
fechavam o espaço sem saídas para as coxias. Este cenário representa
originalmente a casa das quatro irmãs do espetáculo
Uma mulher que se afoga
.
Na apresentação de
As Razões do Bosque
, levamos o público para o palco
com as pessoas ocupando também o mobiliário do cenário. Assim, reforçamos a
intimidade da cena que foi criada originalmente para uma das salas do Museu da
Escola Catarinense (MESC UDESC – Florianópolis/SC).
É interessante destacar que o espetáculo
Um Homem que se afoga
(2026) –
com um elenco só de homens - foi estreado em Fortaleza, e nasceu a partir da
experimentação com o espetáculo-laboratório
Uma mulher que se afoga
(2003),
que é uma montagem com um elenco só de mulheres e que transcorre em um
mundo distópico no qual não existem homens.
14 O espetáculo
Uma mulher que se afoga
(2003), é baseado na dramaturgia da obra “As três irmãs” de Anton
Tchekhov.
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No Laboratório compartilhamos a proposta de que estes dois espetáculos
deverão funcionar como um díptico, tanto pela questão de gênero como pelo fato
de que ambos os trabalhos têm como base dramatúrgica adaptações de texto do
autor russo Anton Tchekhov, no primeiro caso
A Gaivota
e no segundo
As Três
Irmãs
.
O espetáculo
Teste de Elenco
conta com uma configuração diferente dos
demais apresentados, pois tem seu início na parte de fora da sala, quando atores,
atrizes e público se misturam aguardando para entrar na sala. Consequentemente,
desde o início na fila, os atores e atrizes já começam experimentando seus
procedimentos de atuação por estados, uma vez que a premissa ficcional do
espetáculo é que essas personagens chegam até o local para realizar um teste de
elenco para um filme.
A peça acontece no mesmo cenário, porém, com as seis cadeiras dispostas
em fila de frente para a plateia. Nesta conformação cada personagem apresenta
seu monólogo do teste, experimentando estados e intensidades na atuação a
partir das relações que se estabelecem no momento com os colegas de cena e
com o público.
O espetáculo tem também possui, como uma das propostas, convidar um
artista específico para participar de uma única apresentação, a ideia é que essa
pessoa decore um texto breve, e componha o elenco que vai se apresentar no
teste. Nesta ocasião, contamos com a presença de Felício da Silva um dos atores
de Fortaleza participantes da oficina. Cabe destacar que a apresentação de
Teste
de Elenco
no Teatro Carlos Câmara contou com uma plateia receptiva em que
várias das pessoas presentes eram participantes da oficina ministrada, isso
possibilitou, ao final do espetáculo, um diálogo estimulante com perguntas
pertinentes sobre atuação, pesquisa e teatro. Tal experiência reforçou um dos
objetivos que deram forma à Residência.
Breves conclusões
Um dos aspectos mais positivos que podemos destacar da experiência da
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Residência no Teatro Carlos Câmara é como propiciar uma relação estreita entre
a pesquisa laboratorial, as apresentações de espetáculos e a experiência
pedagógica, isso representa uma importante prática formativa para os estudantes
que pesquisam no Laboratório de Atuação ÁHQIS.
Além disso, associar a pesquisa estruturada institucionalmente com uma
prática pedagógica, produz um outro movimento que é de caráter extensionista.
Ao apresentar nossos espetáculos-laboratório criamos oportunidades para
oferecer à comunidade externa à nossa universidade, uma aproximação com os
produtos da pesquisa.
Outro aspecto formativo que a residência também propiciou aos
participantes do Laboratório foi o contato direto com uma estrutura de um teatro
profissional consolidado. Nos dias que passamos dentro do Carlos Câmara foi
possível desenvolver diálogos profissionais e compartilhar atividades com técnicos
e com a gestão do espaço durante a montagem e apresentações.
Destacamos ainda o diálogo entre os participantes e os residentes partindo
de um processo de escuta que seu deu através de trocas na oficina e nos diálogos
que sucederam as apresentações. Isso nos permitiu refletir sobre diferentes
aspectos da nossa prática, bem como, dialogar sobre a recepção dos espetáculos
por parte do público, ouvir os comentários e até questionamentos sobre a
pesquisa prática e nossos modos de fazer, isso significou um estímulo ao trabalho
do Laboratório.
Finalmente, cabe reafirmar o impacto de práticas de residência que associam
a pesquisa com apresentações e práticas pedagógicas. A perspectiva de pesquisa
do Laboratório de Atuação ÁHQIS, que tem como princípio pensar a arte da
atuação como centro do teatro, se desdobra como prática experimental ao
articular a investigação sobre procedimentos criativos da atriz e do ator com a
vivência intensa de um mostrar e ouvir, no contexto de um espaço teatral que está
além das fronteiras da universidade.
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A Residência ÁHQIS /no Teatro Carlos Câmara em imagens
Figura 1 – Cartaz e Programa da Residência ÁHQIS Teatro Carlos Câmara
Design: Guilherme Augusto
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Figura 2 - Hall de entrada do Teatro Carlos Câmara com público entrando para
apresentação de
Um Homem que se afoga
– Arquivo ÁHQIS
Figura 3 - Cenografia utilizada por todos espetáculos na Residência – Foto: Acervo ÁHQIS
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Figura 4 e 5 - Apresentação de
Um homem que se afoga
– Guilherme Augusto, Nicolas Dorvalino,
Thor de Almeida, Vinícius Colla e Winnicius Michel – Acervo ÁHQIS