
Engajamento do público e agenciamento espacial na cenografia de
Baile
Cristiano Cezari Rodrigues
Florianópolis, v.3, n.48, p.1-22, set. 2023
ressonância com um contexto social, econômico e técnico que convergiam para
uma demanda que se mostrou latente na época. A repercussão causada por essas
montagens pode ser constatada pela volumosa produção acadêmica, crítica e
jornalística desenvolvida nos últimos anos, sobretudo sobre o rótulo
immersive
theatre
que, apesar de ter-se tornado o termo mais usado em âmbito acadêmico,
outros pensadores discutem esses modos de engajamento do público com a cena
a partir de outras expressões, como teatro de experiência (Groot Nibbelink, 2012),
dentre outras, ou mesmo sem tentar definir um nome específico para essas
práticas. Enfim, a repercussão que os trabalhos de grupos como
Punchdrunk,
Shunt
,
dreamthinkspeak
e outros tiveram e que podemos constatar na leitura dos
diversos artigos e textos, mostra que essa investigação sobre a espacialidade, bem
como a visualidade da cena, tornou-se uma variável relevante na equação que
define um trabalho artístico no âmbito das artes cênicas e performáticas.
Nas ideias desenvolvidas por Schechner nos
6 axiomas para o teatro
ambiental
(1968), percebemos a relevância da componente espacial tanto na
caracterização de uma visualidade específica quanto no estabelecimento de
formas de relação entre cena e público, esse engajando-se de modo não muito
convencional ao ocupar os espaços. Machon (2013), uma entusiasta do
immersive
theatre
, em sua análise busca enfatizar os aspectos positivos e qualidades desse
modo de realizar a encenação, convergindo seus argumentos para a compreensão
de que a imersão é um modo da experiência da performance. A partir da
experiência de
The Drowned Man
do Punchdrunk, discute aspectos estéticos,
corpóreos e intelectuais do espectador nesse tipo de experiência. Para a autora,
essa imersão engaja o público em uma espacialidade experimental onde os
sentidos são ativos de diversos modos e o ato de assistir à peça não se limita
apenas ao olhar, mas perpassa várias camadas de sentidos, afetando o espectador
de uma maneira mais complexa. A percepção vai além do óptico e do tátil,
chegando ao nível do háptico:
O trabalho imersivo nos leva fisicamente ao mundo da peça, em vez de
nos convidar a assisti-la e compreendê-la à distância em um auditório.
Na prática mais imersiva, o espaço é parte integrante da experiência. O
público não está separado dele, mas nele, dele. Os atores estão cercados
por ele, morando nele, viajando através dele, o que garante que algum
senso de “enraizamento” no mundo do evento seja sentido ativamente. A