
Compostagem para um solo fértil: processo e poética no espetáculo
galhada
Alice Stefânia Curi
Florianópolis, v.1, n.57, p.1-29, abr. 2026
pelo conjunto “de geosfera, biosfera, antroposfera, tecnosfera e as demais feras
da terra, de modo interconectado”.
Na sessão proposta por ela, a galhada é evocada como um conceito – quando
apresentada teoricamente como uma imagem multiespecífica que remete a
características e existências dos reinos vegetal, animal, mineral10 e digital11; vivida
como um sintoma – já que, ao longo da peça, ela aos poucos percebe galhos
brotando de si mesma, frutos de uma mutação genética criada por uma
conspiração verde; e, por fim, fabulada como uma encantaria – uma vez que é
afinal encarnada e experimentada como uma espécie de antena orgânica que a
transfigura em uma deusa-ciborgue conectada a distintos mundos e tempos,
operando como uma encruzilhada de forças12.
O espetáculo estreou no dia 21 de março de 2025, em Brasília, DF13. Ao longo
do ano de 2025 realizamos trinta e seis apresentações, além de um ensaio aberto
e duas mostras de excertos em contextos de congressos.
10 Embora cientes de que essa classificação possa ser considerada insuficiente e datada, a abraçamos na
dramaturgia pela popularidade e simplicidade de sua formulação. São evocadas imagens como galhos de
árvore, raízes, chifres de cervo, estalactites, estalagmites, neurônios em sinapse, leitos e afluentes de rios,
corais oceânicos, tentáculos de polvos, patas de aranha, veias e artérias, entre outras.
11 Na dramaturgia faz-se referência a “antenas altamente sofisticadas, interplanetárias, transgalácticas. Essa
galhada sintetiza uma ecotecnologia capaz de sintonizar uma criatura com o cosmo e com a terra, com ela
mesma [...] em um tecnorritual que até parece ficção animista, xamanismo especulativo, pajelança de
antecipação...”
12 Para melhor apreensão das discussões trazidas no texto, disponibilizamos, no link a seguir, uma filmagem
do espetáculo https://www.youtube.com/watch?v=wbtkR5XpEZU
13 Entre março e abril, o espetáculo cumpriu temporada inicial de dezesseis apresentações, sendo: três no
Espaço Semente do Gama (21 a 23 de março); três no Teatro do SESI em Taguatinga (24, 25 e 26 de março);
três no Teatro SESC Newton Rossi na Ceilândia (28, 29 e 30 de março); e três no Teatro Galpão Hugo Rodas
no Plano Piloto (4, 5 e 6 de abril); além de duas apresentações na Escola Urso Branco, no Núcleo Bandeirante
(1º de abril), e duas na escola Setor Leste da Asa Sul (14 de abril). No primeiro semestre de 2025, a peça
também integrou o projeto Educarte na Praça, com apresentações para público estudantil em duas
bibliotecas localizadas nas RAs do DF: Taguatinga (7 de maio) e Brazlândia (27 de junho). Em seguida, o
espetáculo ocupou a sala Alberto Guzik da SP Escola de Teatro (SP), onde cumpriu seis apresentações entre
8 e 10 e 15 e 17 de agosto. A peça também integrou, a convite, a programação do 26º Festival Internacional
Cena Contemporânea, onde realizou apresentações nos dias 29 e 30 de agosto, na Sala Galpão Hugo Rodas,
em Brasília. O projeto foi ainda contemplado com fomento do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de
Estado de Cultura e Economia Criativa do DF para circular por escolas com ações de mediação. Entre
outubro e novembro de 2025, foram realizadas 12 apresentações em escolas de diferentes regiões
administrativas do DF, com mediação, no contexto desse projeto. Além disso, foram compartilhados
excertos da peça em dois congressos (ABRACE, em Ouro Preto, e PSI, em Fortaleza). Em janeiro de 2026 o
espetáculo foi convidado para integrar a Mostra Conexões Centro-Oeste, do Itaú Cultural São Paulo, em
confluência com a MITsp: https://mitsp.org/2026/galhada-em-tempos-de-fissura/