
Global Water Dances
em Viçosa/MG: dança e ativismo ambiental
Juliana Carvalho Franco da Silveira | Vinicius Macena Santiago Fialho
Florianópolis, v.3, n.48, p.1-28, set. 2023
encontram, sobre suas funções etc. Abordamos, por exemplo, os fluidos
intracelular, intersticial, cerebroespinal e sinovial, plasma sanguíneo, suor, saliva,
entre outros.
Essa abordagem visou sensibilizar e, ao mesmo tempo, perturbar a aderência
cega a hábitos e modos de percepção no sentido de possibilitar abertura para
novos modos de relação com o próprio corpo e o ambiente. Nesse contexto,
consideramos que “a arte é inerentemente política, porque é uma atividade que
torna inativos, e contempla, os hábitos sensoriais e os hábitos gestuais dos seres
humanos, e, ao fazê-lo, os abre para um novo uso potencial”, como propõe
Agamben (2008, p. 204 apud Lepecki, 2012, p. 44).
Nesse cenário, valorizamos uma pedagogia crítica do corpo, pois
concordamos com Shapiro (2016) que incluir uma linguagem corporalizada na
educação em dança requer capacidade de reflexão sobre si e sobre o mundo:
Começar a incluir uma linguagem corporalizada na educação em dança
significaria mais do que alunos sentados em uma mesa aprendendo fatos
históricos ensinados de uma perspectiva ou memorizando poemas. Seria
uma pedagogia que envolvesse o aluno na reflexão crítica de seu mundo
em termos de questões de poder, controle e sensibilidade moral ou ética,
muitas delas entendidas como mediadas pela vida somática dos
indivíduos. Requer uma pedagogia crítica do corpo (Shapiro, 2016, p. 9)11.
Para o processo criativo coreográfico da dança local, trouxemos estímulos
ligados às qualidades de movimento da água e aos fluidos corporais.
Consideramos, por exemplo, que a água em seu estado líquido tem resiliência,
capacidade de se moldar e se acomodar ao ambiente, o que nos levou a explorar
a ideia de corpos líquidos (Figura 5), que se moldam e se adaptam ao ambiente
(nesse caso, nossas casas). Abordamos ainda, de modo crítico, a lógica de
consumo e descarte (Figura 6) tão presente em nossas vidas cotidianas, assim
como a poluição e degradação do Ribeirão São Bartolomeu. Levamos em conta
também as práticas regenerativas da natureza, como as realizadas e apresentadas
11 To begin to include an embodied language in dance education would mean more than students sitting at
desk learning historical facts taught from one perspective, or memorising poems. It would be a pedagogy
that involves the student in critical reflection of their world in terms of issues of power, control, and moral
or ethical sensitivity, much of these understood as mediated through the somatic lives of individuals. It calls
for a critical pedagogy of the body.