
A arquitetura teatral para as linguagens cênicas contemporâneas
Janaina Silva Xavier | Jussara Schultz Bauermann
Florianópolis, v.1, n.46, p.1-26, abr. 2023
e a partir do crescimento das atividades da cena nas cidades, temos a seguinte
problemática: como adequar a arquitetura do espaço teatral de forma a
corresponder às necessidades das novas formas de interpretação e encenação?
Diante disso, os objetivos aqui propostos são: caracterizar e analisar as práticas
contemporâneas das artes cênicas, identificando quais as suas carências
espaciais; e sugerir algumas diretrizes para a construção de novos teatros.
Debruçar-se sobre essas questões se justifica pela necessidade de refletir
sobre a expressão dos artistas contemporâneos, experimentais, de resistência e
iniciantes, oriundos, em muitos casos, das comunidades e regiões periféricas.
Esses artistas apresentam novas formas de expressão artÃstica que se perdem ou
ficam tolhidas em sua potência estética e poética em virtude da inadequação dos
espaços teatrais e de exibição que são mais conformados aos espetáculos
tradicionais.
Dentro dessa perspectiva, buscou-se realizar uma discussão teórica a partir
dos textos de Danckwardt (2001), Dinulovic (2015), Mackintosh (2005), Pavis (2005),
Silva (2017) e Urssi (2006), entre outros, que caracterizam as novas práticas do
teatro contemporâneo e apresentam exemplos nacionais e internacionais
recentes de arquiteturas para o teatro. A sÃntese das ideias obtidas foi utilizada no
sentido de pensar direcionamentos projetuais para a construção de teatros que
correspondam às necessidades da atualidade.
As linguagens cênicas contemporâneas e sua relação com o
espaço
Ao revisar a trajetória arquitetônica do teatro contemporâneo é possÃvel
constatar que suas conFigurações de palco e auditório derivam basicamente de
três modelos: o elisabetano, o barroco e o funcionalista (Dinulovic, 2015). O teatro
elisabetano corresponde ao perÃodo da metade do século XVI, na Inglaterra. Em
sua concepção os atores ficavam próximos da plateia, de forma centralizada, o
que permitia ao público participar mais significativamente do espetáculo. A
reduzida decoração e a ausência de artifÃcios cênicos auxiliavam na concentração
da expressão gestual e verbal dos personagens. Mobiliário e objetos simples em