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Cenas rupestres de lutas corporais no Parque Nacional
Serra da Capivara, possíveis interpretações
Leandro Paiva; Deise Lucy Oliveira Montardo;
Michel Justamand; Gabriel Frechiani de Oliveira
Vitor José Rampaneli de Almeida; Gabriela Rabello
Para citar este artigo:
PAIVA, Leandro; MONTARDO, Deise Lucy Oliveira;
JUSTAMAND, Michel; OLIVEIRA, Gabriel Frechiani de;
ALMEIDA, Vitor José Rampaneli de; RABELLO, Gabriela. Cenas
rupestres de lutas corporais no Parque Nacional Serra da
Capivara, possíveis interpretações.
Urdimento
Revista de
Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1 n. 43, abr. 2022.
DOI: http:/dx.doi.org/10.5965/1414573101432022e0117
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Cenas rupestres de lutas corporais no Parque Nacional Serra da Capivara, possíveis interpretações
Leandro Paiva; Deise Lucy Oliveira Montardo; Michel Justamand; Gabriel Frechiani de Oliveira
Vitor José Rampaneli de Almeida; Gabriela Rabello
Florianópolis, v.1, n.43, p.1-26, abr. 2022
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Cenas rupestres de lutas corporais no Parque Nacional Serra da Capivara
1
,
possíveis interpretações
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Leandro Paiva
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Deise Lucy Oliveira Montardo
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Michel Justamand
5
Gabriel Frechiani de Oliveira
6
Vitor José Rampaneli de Almeida
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Gabriela Rabello
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1
Revisão ortográfica e gramatical do artigo realizada por Maria Francisca da Costa Cavalcanti, Graduada em
Letras pela Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM) e Pós-Graduada (Lato Sensu) em Gestão Escolar
e Psicopedagogia (UNASP). fran.cavalcanti20@gmail.com
2
Artigo baseado em quase sua totalidade em dois trabalhos de Leandro Paiva: Trabalho de Conclusão de
Curso TCC (História) e Dissertação de Mestrado (Antropologia Social). Intitulados, respectivamente:
Vestígios rupestres de lutas no sudeste do Piauí: produção e difusão científica (1970-2016); Joetyk: uma
Antropologia da luta corporal alto-xinguana.
3
Doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em Antropologia
Social (UFAM). Especialização em Arqueologia (Claretiano), Especialização em Museografia e Patrimônio
Cultural (Claretiano). Graduado em História pela Universidade Federal do Estado do RJ e Educação sica
(Claretiano). professorleandropaiva@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/5381637906283724 https://orcid.org/0000-0002-6135-4051
4
Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Professora Colaboradora do Programa
de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Professora
Visitante do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
deiselucy@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/6344437017920336 https://orcid.org/0000-0002-3986-7088
5
Pós-Doutor em Arqueologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Doutor em Ciências
Sociais/Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Professor Associado do
Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Permanente do
Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia PPGSCA da Universidade Federal do
Amazonas (UFAM). micheljustamand@yahoo.com.br
http://lattes.cnpq.br/7981122122060818 https://orcid.org/0000-0001-6944-5890
6
Doutor em Arqueologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Professor da Secretaria de Estado de
Educação do Piauí SEDUC/PI. gfrechiani@hotmail.com
http://lattes.cnpq.br/8689205095146405 https://orcid.org/0000-0003-3528-2944
7
Doutorando em Planejamento e Gestão de Territórios pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Mestrado
em Análise Geoambiental pela Universidade de Guarulhos (UNG). Especialização em Gestão Educacional
pela Universidade Anhanguera de São Paulo. Especialização em Ciências Humanas (UNICAMP). Graduação
em História pelas Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG). vitalm@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/6672192893266731 https://orcid.org/0000-0001-8470-2672
8
Graduanda em Letras (Português) pela Universidade Federal de São Paulo, Unifesp EFLCH, Campus
Guarulhos. gabrielap.rabello@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/6663602156834628 https://orcid.org/0000-0001-6064-4623
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Resumo
Este trabalho é baseado em pesquisa de campo realizada no sudeste do Estado do
Piauí e, posteriormente, no Alto Xingu (Brasil Central). Por meio de um corpus de
lutas corporais nos registros rupestres, foram apresentadas possíveis inferências
sobre essas pinturas. Para além apenas do olhar de pesquisadores, remanescentes
de povos originários, que engajavam-se em lutas corporais ritualizadas,
apresentaram suas próprias interpretações. Em conclusão, se não foi possível obter
os códigos utilizados pelos grupos ancestrais que os pintaram na Serra da Capivara;
em outra medida, foi possível refletir sobre o fenômeno que permite à autóctones,
na atualidade, interpretarem aqueles registros à sua maneira.
Palavras-chave
: Arte rupestre. Parque Nacional Serra da Capivara. Cenas de lutas
corporais.
Rock scenes of wrestling in Serra da Capivara National Park, possible
interpretations
Abstract
This work is based on field research out in the southeast of the State of Piauí and,
later, in Alto Xingu (Central Brazil). Through a corpus of wrestling in rock records,
possible inferences about these paintings were presented. Beyond just the look of
researchers, remnants of original peoples, who engaged in ritualized wrestling,
presented their own interpretations. In conclusion, if it was not possible to obtain
the codes used by the ancestral groups that painted them in Serra da Capivara; to
another extent, it was possible to reflect on the phenomenon that allows natives,
nowadays, to interpret those records in their own way.
Keywords
: Rock art. Serra da Capivara National Park. Scenes of wrestling.
Escenas rupestres de luchas corporales en el Parque Nacional Serra da
Capivara, posibles interpretaciones
Resumen
Este trabajo se basa en una investigación de campo realizada en el sureste del
Estado de Piauí y, posteriormente, en Alto Xingu (Brasil Central). A través de un
corpus de luchas corporales en registros rupestres, se presentaron posibles
inferencias sobre estas pinturas. Más allá de la mirada de los investigadores, los
remanentes de los pueblos originarios, que participaron en luchas corporales
ritualizadas, presentaron sus propias interpretaciones. En conclusión, si no fue
posible obtener los códigos utilizados por los grupos ancestrales que los pintaron
en Serra da Capivara; en otra medida, fue posible reflexionar sobre el fenómeno que
permite a los nativos, hoy en día, interpretar a su manera esos registros.
Palabras clave
: Arte rupestre. Parque Nacional Serra da Capivara. Escenas de luchas
corporales.
Cenas rupestres de lutas corporais no Parque Nacional Serra da Capivara, possíveis interpretações
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Os registros rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara (PNSC) são
ricos em cenas rituais, cenas de caça, entre outras. Suas interpretações, baseadas
em analogias feitas por cientistas até então, puderam ser cotejadas e enriquecidas
pela interpretação proporcionada pelas visitas feitas aos tios, por indígenas do
Alto Xingu. As cenas de luta foram reconhecidas por estes e é sobre esse encontro
que trata este texto.
Não obstante, a cena decolonial têm despertado inúmeras produções
acadêmico-científicas, estreitando diálogo entre epistemologias indígenas e o
indígenas na seara das artes da cena (Gonçalves, 2020; 2021). Ouvir a interpretação
dos Alto-Xinguanos, lutadores por excelência, amplia os significados possíveis da
luta como arte da cena e traz para a leitura dos registros arqueológicos uma
subjetividade no/para o mundo tal como destaca o indígena Ailton Krenak:
Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte
prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades,
que é a matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se
existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por
consumir subjetividades as nossas subjetividades. Então vamos vivê-
las com a liberdade que fomos capazes de inventar, o botar ela no
mercado. que a natureza está sendo assaltada de uma maneira o
indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas
subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência (Krenak,
2019, p.32-33).
Sem embargo, nesse escopo reside o principal objetivo deste trabalho, isto é,
decolonizar saberes e atribuir relevância a subjetividades outras, para além de
cosmologias eurocêntricas. Para tal empreitada, será transpassado percurso mais
denso por conhecimentos arqueológicos e etnoarqueológicos9 e, logo após, serão
retomadas essas considerações iniciais, nas laudas finais do texto.
Desse modo, tendo em conta as informações supracitadas, salienta-se que,
na região nordeste do Brasil, especificamente no sudeste do Estado do Piauí (PI),
fica localizado o Parque Nacional Serra da Capivara
10
(Figura 1). Possui o maior
9
Articulação de dados arqueológicos com etnográficos.
10
O PNSC foi consolidado em decreto publicado em 5 de junho de 1979 pela presidência da república. O intuito
de sua criação foi o de preservação ecológica e do patrimônio arqueológico encontrado (Martin, 2005).
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enclave
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de sítios arqueológicos do mundo. Dista, aproximadamente, 530km da
capital, Teresina. É delimitado por quatro municípios, de acordo com o Cadastro
Nacional de Unidade de Conservação: Canto do Buriti, São João do Piauí, São
Raimundo Nonato e Coronel José Dias (Ministério do Meio Ambiente, 2017). As
pesquisas arqueológicas foram iniciadas no PNSC na década de 1970, após a
pesquisadora Niède Guidon ser informada, casualmente, sobre estranhas pinturas
localizadas nessa região, denominadas pela população local como “coisa de índio
12
(Bastos, 2010, p.9). Ao se deparar com quantidade e variedade de registros
rupestres sem igual até então no Brasil, elegeu a localidade para análises. A partir
da década de 1980, os estudos arqueológicos na área da Serra da Capivara vêm
ocorrendo de modo ininterrupto (Fumdham, 2017). De pronto, identificaram os
sítios com pinturas e gravuras
13
rupestres. Posteriormente, iniciaram as escavações
e muitos vestígios antrópicos
14
foram encontrados
15
sendo, diversas vezes,
contextualizados com as pesquisas iniciais (Guidon, 1984). Outrossim, Bastos (2010)
apurou que, existem fortes indícios de presença humana no sudeste do Piauí, no
mínimo, 20.000 anos Antes do Presente – A.P.
16
As pesquisas realizadas na região apresentaram resultados importantes na
construção do conhecimento da arqueologia pré-histórica brasileira. Atualmente,
estão catalogados 1.335 sítios arqueológicos no local, onde 184 sítios com
vestígios cerâmicos, 946 sítios de pinturas rupestres, 206 sítios de pinturas e
11
Abrangendo ação do homem em espaço geográfico e ambiental circunscrito em estudos arqueológicos em
área territorial mais ampla.
12
Ações de Educação Patrimonial em Arqueologia podem desvelar topônimos populares com histórico-
referenciais relevantes. Por exemplo, em um projeto que cobriu vasto número de sítios com registros
rupestres na Bahia, articulou-se ações entre as populações do entorno desses locais e os arqueólogos.
Segundo Etchevarne, os moradores conheciam os sítios por “designativos étnicos genéricos: Pedra do Índio,
Toca do Índio, Lapa dos Tapuias [...], referindo entendimento generalizado de que pinturas e gravuras são
formas de ‘escrita’ com que grupos indígenas pretéritos se comunicavam ou registravam acontecimentos”
(Etchevarne, 2007, p.14).
13
Diferente das pinturas, as gravuras são caracterizadas por incisões nas rochas.
14
Resultantes da ação do homem.
15
Vale citar, dentre outros, os seguintes vestígios materiais: pontas de flecha, ticos (“pedras”) lascados e
polidos, coprólitos (fezes humanas fossilizadas), esqueletos, fogueiras etc. (Bastos, 2010; Fumdham, 2017).
16
Em Arqueologia, o termo “Antes do Presente” assume como ano-base 1950, escolhido referencialmente para
estabelecer as curvas de calibração nas datações com radiocarbono (privilegiou-se o carbono 14) (Martin,
2005).
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gravuras, e 80 sítios de gravuras (Guidon, 2014a, 2014b; Maranca & Martin, 2014).
Sem embargo, mesmo no caso de recorte temático bem específico como, por
exemplo, cenas
17
de “luta” ou “guerra”, é praticamente impossível explorar todos
os sítios arqueológicos em apenas um dia.
Figura 1 - Mapa do Parque Nacional Serra da Capivara (PI).
Fonte: FUMDHAM, 2005.
Nessa direção, tendo em tela este trabalho, salienta-se que foram
necessárias ao menos duas incursões aos sítios arqueológicos do PNSC para
conseguir razoável quantitativo de registros fotográficos, que pudesse conformar
espécie de corpus. Na primeira oportunidade, em dois dias consecutivos, foram
acessados vinte e um sítios arqueológicos no total, localizados, respectivamente,
no
Front da Cuesta
e na área do Vale da Serra Branca (veja Figura 2). Esses
levantamentos assentaram-se nas dimensões estabelecidas por Anne-Marie
Pessis (1994; 2003), organizadas em diagrama por Silva (2012), com intuito de
17
Escolhas dos autores das pinturas rupestres quanto à morfologia e padrões gráficos passíveis de
reconhecimento (Pessis, 1992).
Cenas rupestres de lutas corporais no Parque Nacional Serra da Capivara, possíveis interpretações
Leandro Paiva; Deise Lucy Oliveira Montardo; Michel Justamand; Gabriel Frechiani de Oliveira
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caracterizar e identificar padrões em pinturas rupestres (veja Figura 3). Além disso,
orientou-se por suas diretrizes, em que propôs classificar essas manifestações
pelo reconhecimento cognitivo de forma preliminar hipotética. Assim, de acordo
com sua proposição, os principais elementos utilizados para reconhecimento e
caracterização de uma cena de violência
18
/luta são: “divisão do espaço e
posicionamento das figuras na cena; movimento de uma figura em direção a outra;
movimento rítmico dos braços, pernas e corpo; [...]; figuras com alguma parte do
corpo atingida indicando a agressão” (Silva, 2012, p.51). Vale salientar, nem todos
os sítios suportavam cenas de lutas. Não obstante, foi relevante acessá-los,
presencialmente, para compreensão
in loco
das semelhanças e diferenças
gráficas, no que a literatura arqueológica sobre a região classificou de Tradição
19
,
Subtradição
20
e Estilos
21
, refletindo em suas respectivas datações.
22
Ademais, não foi difícil depreender, consoante análises publicadas
posteriormente (Paiva, 2017; Paiva, 2019), que os termos “luta” ou “violência”,
poderiam denotar referenciais sociais distintos, mas eram tratados no mesmo
bojo, em boa parte dos estudos realizados no PNSC. Por exemplo, englobavam,
18
Silva trabalha com o conceito de cenas coletivas de “violência”. Não as caracteriza como “guerra”. Todavia,
conforme apurado em trabalho anterior (Paiva, 2017), sobretudo nas primeiras décadas, os pesquisadores
(arqueólogos) atribuíram a esses registros, sobretudo, o termo “guerra”.
19
Para uma descrição sumária, “Tradição” se refere à representação visual de todo um universo simbólico
primevo (natural e imaginário), que pode ser milenar (Pessis, 1994; 2003; Guidon, 1981, 1984). No PNSC,
predomina “Tradição Nordeste”, com datação entre 15.000-6.000 anos A.P. (Pessis et al., 2018). É
caracterizada por vestígios reconhecíveis (figuras humanas, animais, plantas e objetos) e os
“puros”/“geométricos”, que não podem ser identificados.
20
“Subtradição” é uma denominação introduzida para definir um grupo desvinculado de uma tradição e
adaptado a um meio geográfico e ecológico distintos, implicando na presença de novos elementos (Pessis
et al., 2018).
21
A classe mais particular decorrente de mudanças em uma subtradição é denominada de “Estilo”, denotando
em diferenciações da técnica e apresentação gráfica, com inovações temáticas refletindo a manifestação
criativa de cada comunidade. (Pessis et al., 2018)
22
Para os registros rupestres no PNSC, estabeleceu-se cronologia baseando-se em décadas de pesquisa
arqueológica, sendo: 1) Estilo “Serra da Capivara” Datação: entre 15.000(?)-12.000 até 9.000 A.P. (figuras de
contorno fechado; traços contínuos etc.); 2) Estilo “Serra Branca” Datação: 9.000-6.000 A.P (figuras
humanas preenchidas por traços verticais; riqueza de adornos e objetos etc.) (Pessis, 2003; Pessis, 2013;
Pessis et al., 2018). Em referência ao método específico de datação, Pessis et al. (2018, p. 43) asseveram para
o fato de não existir, para pinturas rupestres no PNSC, apenas uma forma de datação. Para se ter
confiabilidade, exige “um conjunto de resultados de técnicas diferentes capazes de posicionar, no tempo, a
pintura estudada [...]”. Por exemplo, ...quando duas figuras pintadas estão em relação de superposição
parcial. A análise da superposição fornece a certeza da ordem de precedência da realização das figuras,
permitindo segregar camadas de superposição gráfica”.