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Uma revolução necessária:
Pela presença efetiva do Teatro do Oprimido
nas licenciaturas em Teatro
Adilson Ledubino
Waldimir Viana
Marcia Strazzacappa
Para citar este artigo:
LEDUBINO, Adilson; VIANA, Waldimir; STRAZZACAPPA,
Marcia. Uma revolução necessária: Pela presença efetiva
do Teatro do Oprimido nas licenciaturas em Teatro.
Urdimento
Revista de Estudos em Artes Cênicas,
Florianópolis, v. 1, n. 43, abr. 2022.
DOI: http:/dx.doi.org/10.5965/1414573101432022e0201
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Uma revolução necessária: Pela presença efetiva do Teatro do
Oprimido nas licenciaturas em Teatro
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Adilson Ledubino
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Waldimir Viana
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Marcia Strazzacappa
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Resumo
Este artigo cartografa a presença ou ausência do Teatro do Oprimido nas
licenciaturas em Teatro de universidades públicas da região Sudeste do Brasil,
lançando mão da análise dos Projetos Político Pedagógicos e da súmula
curricular de tais instituições, além de entrevistas semiestruturadas com
artistas-docentes-pesquisadores estudiosos do tema. A partir deste estudo,
evidenciam-se os impactos e as contribuições que o método criado por
Augusto Boal pode oferecer à formação de professores de teatro, assim como
à Educação Básica. Por fim, propõe-se o desenho curricular de uma disciplina
centralmente dedicada ao Teatro do Oprimido como uma revolução possível
e necessária.
Palavras-chave
: Teatro do oprimido. Licenciatura em Teatro. Formação
docente. Augusto Boal.
1
Revisão ortográfica e gramatical do artigo realizada por Margarida Pontes, graduada e pós-graduada em Letras
(Mestrado e Doutorado) pela Unesp/São José do Rio Preto: margapontes@yahoo.com.br.
2
Doutor e Mestre em Educação e Bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp. Licenciado em Artes Visuais pelo
Claretiano. Ator, diretor, dramaturgo, cenógrafo e educador teatral da educação básica na Escola Comunitária de
Campinas. Pesquisador do Laborarte/FE/Unicamp. adlbrahman@hotmail.com
http://lattes.cnpq.br/7826411687013075 http://orcid.org/0000-0002-5136-8679
3
Doutorando em Educação pela Unicamp/Università di Bologna. Mestre em Educação, Licenciado em Teatro e
Pedagogia (UFMG) e em Educação Artística UEMG. Multiplicador de Teatro do Oprimido Centro de Teatro do
Oprimido/RJ e membro do Laborarte/FE/Unicamp. dimir.viana@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/9288834079884686 https://orcid.org/0000-0001-5866-7607
4
Doutora em Artes Teatro e Dança pela Universidade de Paris 8/França. Mestre em Educação, e Licenciada em
Pedagogia e Dança pela Unicamp. Membro do Laborarte/FE/Unicamp e bolsista produtividade CNPq/Brasil.
Professora Livre docente da Unicamp e docente do Prof-Artes/UFPB. marciastrazzacappa@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/1574008360415424 https://orcid.org/0000-0002-4118-6572
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A Necessary Revolution: For the Effective Presence of the Theater of
the Oppressed in the Theater’s Bachelor’s Degrees
Abstract
This article maps the presence or absence of the Theater of the Oppressed
in the Bachelor’s Degrees in Theater of Public Universities in the Southeast of
Brazil, making use of the analysis of Pedagogical Political Projects and the
curriculum summary of such institutions, in addition to semi-structured
interviews with artist-teachers, researchers, scholars of the subject. From this
study, it shows the impacts and contributions that the method created by
Augusto Boal can offer to the training of theater teachers, as well as to basic
education. Finally, it proposes the curricular design of a discipline centrally
dedicated to the Theater of the Oppressed as a possible and necessary
revolution.
Keywords
: Theater of the Oppressed. Degree in Theater. Teacher Training.
Augusto Boal.
Una revolución necesaria: Por la presencia efectiva del Teatro del
Oprimido en las Licenciaturas en Teatro
Resumen
Este artículo mapea la presencia o la ausencia del Teatro del Oprimido en las
Licenciaturas en Teatro de las Universidades Públicas del Sureste de Brasil,
por medio de análisis de los Proyectos político-pedagógicos y de la
estructura curricular de estas instituciones, además de entrevistas
semiestructuradas con artistas-maestros-investigadores y estudiosos de la
materia. A partir de este estudio se muestran los impactos y los aportes que
el método creado por Augusto Boal puede ofrecer a la formación de
profesores de teatro así como a la escuela. Finalmente, propone el diseño
curricular de una asignatura dedicada centralmente al Teatro del Oprimido
como una revolución posible y necesaria.
Palabras clave
: Teatro de los oprimidos. Licenciatura en Teatro. Formación de
profesores. Augusto Boal.
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A hora e a vez do Teatro do Oprimido nas Licenciaturas em
Teatro na região Sudeste
O Teatro do Oprimido (TO), de Augusto Boal (1931-2009), constitui-se como
método consagrado em diferentes país do mundo, sendo empregado em ações
pedagógicas nos contextos formal e não formal, com especial impacto em ações
afirmativas e de lutas, seja no campo ou na cidade. Sua contribuição para uma
formação humanista, democrática e resistente é inegável, assim como seu
importante papel para a compreensão do teatro como uma expressão humana e
humanizadora. Ao nosso ver, as reflexões estéticas, artísticas, políticas, filosóficas,
sociológicas e antropológicas que suscita deveriam ser argumento suficiente para
sua presença obrigatória nas matrizes curriculares das licenciaturas em Teatro de
todo o Brasil.
A partir dessa premissa, este artigo mapeia os cursos de licenciatura em
teatro circunscritos à região Sudeste brasileira e analisa suas matrizes curriculares,
buscando averiguar a presença ou ausência do TO entre suas disciplinas
obrigatórias e eletivas. Para isso, algumas questões-problema orientaram nossas
investigações: O TO, em suas diversas ações, e a obra de Augusto Boal fazem parte
do universo prático e teórico de estudantes e professores, proporcionando a
construção de conhecimentos abrangentes sobre o tema? O que as ementas
revelam e sugerem acerca da presença ou ausência do TO bem como sobre as
formas de abordagem na formação de professores de Teatro? De que maneira
isso tem reflexos na Educação Básica? De que forma e em que medida o TO pode
oferecer respostas, inclusive às demandas presentes em documentos oficiais que
normatizam a função do teatro na educação, como a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC)? Como escapar ao risco de cooptação ou neutralização do TO
por uma institucionalização mal-empreendida, sem a adequada formação de
quadros docentes?
Diante de tais problematizações, elaboramos este trabalho efetuando
concomitantemente dois movimentos de caráter metodológico para a coleta de
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dados: foram realizadas entrevistas semiestruturadas com artistas-docentes-
pesquisadores a fim de obter um conjunto relevante de pontos de vista. Entre os
entrevistados
5
, figuram a Professora Doutora Rita Gusmão (2020), do Curso de
Teatro da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
o Professor Doutor Sérgio de Carvalho (2020), da Escola de Comunicação e Artes
da Universidade de São Paulo (USP); o Professor Mestre Carloman Bomfim (2020),
do Curso de Teatro da Universidade Estadual de Montes Claros (UniMontes); o
Professor Doutor Marcelo Rocco (2020), do Departamento de Artes Cênicas da
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); o Professor Doutor Licko Turle (2020),
da Escola de Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio);
e a Professora Doutora Sílvia Balestreri (2021), do Departamento de Arte Dramática
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo estes dois últimos
cofundadores do Centro de Teatro do Oprimido (CTO) do Rio de Janeiro, ao lado
de Augusto Boal.
O outro movimento constituiu-se em acesso aos ementários presentes nos
Projetos Político Pedagógicos de instituições públicas que oferecem cursos de
Licenciatura em Teatro e posterior análise de cada um deles.
Cabe ressaltar que os autores deste estudo somos, também, nós, artistas-
docentes-pesquisadores com ampla atuação no campo da Pedagogia Teatral e do
TO, especificamente. Além de ecoar as reflexões empreendidas no âmbito do
Laborarte - Laboratório de Estudos sobre Arte, Corpo e Educação, da Faculdade
de Educação da Unicamp, grupo de pesquisa ao qual estamos vinculados, temos
como objetivo contribuir para a disseminação da obra de Augusto Boal por meio
da compreensão de tal contexto e da proposição do desenho de disciplinas
focadas no TO, as quais integram este texto.
Um olhar panorâmico
Sobre os contextos da Licenciatura em Teatro
A carência de profissionais habilitados para o ensino do teatro sempre foi
5
Os critérios de inclusão e exclusão adotados levaram em conta a experiência dos e das docentes com o
tema em foco, o vínculo com a Instituição, bem como a disponibilidade em conceder entrevista e o acesso
a documentos oficiais como ementários e Plano Político Pedagógico.
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uma realidade lacunar em nosso país. Com o advento da Lei n.º 13.278/2016, que
instituiu a obrigatoriedade do ensino de artes, especificamente composto pelas
linguagens de Artes Visuais, Música, Dança e Teatro, havia expectativa de que o
quadro se modificasse. No entanto, a força de lei não foi suficiente para isso,
apesar de seu art. 2º estabelecer que:
O prazo para que os sistemas de ensino implantem as mudanças
decorrentes desta Lei, incluída a necessária e adequada formação dos
respectivos professores em número suficiente para atuar na educação
básica, é de cinco anos (Brasil, 2016, s/p).
Em vias de se encerrar tal prazo, a realidade ainda é desalentadora.
poucos cursos de Licenciatura em Teatro em instituições públicas do Sudeste
6
,
tendo em vista a demanda criada a partir da referida lei e, especialmente, o fato
de que o teatro se configura como importante linguagem e espaço de construção
de conhecimentos e formação sensível, crítica e comprometida com a sociedade,
presente em espaços formais e não formais.
Por outro lado, considerando-se que significativo percentual de professores
de Teatro é egresso do bacharelado, ou mesmo de cursos técnicos, carecendo de
adequada formação para o exercício docente
7
, faz-se necessário indagar: A que
serve uma Licenciatura em Teatro? Para além do cumprimento legal, que se
considerar o pacto social assumido mediante o compromisso de oferecer
relevante contribuição à Educação Nacional com a formação de professores
capacitados para o desenvolvimento de uma educação humanista, crítica, sensível
e criativa por meio do teatro.
Como colocado no Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Teatro
da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), espera-se que o egresso seja:
[...] um profissional capaz de: ministrar cursos de Teatro na educação
formal e não formal; estabelecer um diálogo contínuo entre processos
artísticos e pedagógicos; desenvolver nos alunos a sensibilidade, a
6
Podemos citar, por exemplo, o fato de a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferecer a
modalidade Bacharelado. Sua Licenciatura, já aprovada pelo Conselho Universitário, ainda não foi
efetivamente implantada, apesar da alta demanda na região.
7
Não fazemos aqui um julgamento de valor quanto à capacidade de tais professores em coordenar processos
de ensino-aprendizagem potentes e satisfatórios. O que apontamos é o fato de haver desacordo com a lei
e com a necessária formação didático-pedagógica para atuar como professor de Teatro.
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imaginação, a criatividade, bem como a capacidade de expressão e
conceituação cênica; apropriar-se de estratégias pedagógicas,
adaptando-as à prática contínua de ensino teatral em suas diversas
instâncias e funções; investigar e refletir criticamente sobre os processos
estéticos e pedagógicos do fazer teatral; considerar os princípios da
transdisciplinaridade, da diversidade cultural, ambiental, da inclusão
social e da formação continuada; lidar de forma ética e socialmente
comprometida com as questões sociais contemporâneas; agir em
comunidade, favorecendo a transformação da sociedade brasileira pela
experiência artística e educativa, atuar no campo da pesquisa em teatro
(UFSJ, 2013, p.4-5).
Fica evidente a importância de uma formação congruente com tais preceitos,
que prepare o futuro professor de teatro para desempenhar adequadamente suas
funções, tendo em conta a realidade social brasileira.
Pensando em tais aspectos, impulsiona-nos o desejo de investigar em que
medida o TO de Augusto Boal pode contribuir para o êxito dessa missão, para tanto
averiguando os impactos da presença ou ausência de sua obra nos currículos das
referidas licenciaturas.
Sobre o Teatro do Oprimido
O Teatro do Oprimido é, hoje, um método praticado em mais de 70 países
dos cinco continentes (Goldschmidt, 2011, p.38). É consolidado como prática
artística relevante em prol dos oprimidos no interior das mais diversas causas
sociais. Historicamente, é indissociável das experiências de vida e artístico-
acadêmicas de seu criador. Augusto Boal é figura central do TO, embora, pelo
próprio caráter popular de base do método, não seja a única. Muitos
multiplicadores e curingas
8
trouxeram e continuam a trazer contribuições para,
como desejava o teatrólogo, manter vivo e pulsante o TO.
Não se faz necessário, no contexto de um artigo, recordar os pormenores da
história do TO, especialmente considerando que muitas pesquisas, textos e a
8
O termo
curinga
, com “u”, está relacionado ao Teatro do Oprimido. Trata-se do sujeito que realiza as
montagens, que desenvolve o método e conduz, como um mestre de cerimônia, os espetáculos de Teatro-
Fórum, por exemplo. Sendo o curinga o sujeito que lida com o método, uma de suas atribuições na
organização artística e na relação com os espect-atores, nas sessões de Teatro-Fórum e em outras técnicas
e atividades, é a curingagem. o termo Coringa, com “o”, refere-se ao Sistema Coringa, desenvolvido por
Boal junto ao grupo Teatro de Arena de São Paulo. Uma das características desse sistema era a de favorecer
a montagem de espetáculos com elenco reduzido, cujos atores e atrizes podiam representar em uma peça
vários personagens. A primeira montagem realizada a partir desse sistema é de 1965: Arena conta Zumbi.
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própria obra de Augusto Boal cumprem muito bem esse papel de manter viva a
memória do método. Portanto, aqui apontaremos os aspectos que julgamos mais
relevantes para a discussão empreendida. Nesse sentido, cabe destacar que,
talvez, a maior contribuição deixada pelo TO seja a de ter colocado no centro da
arena o próprio oprimido que, se antes ficava restrito à condição de espectador ou
sequer tinha acesso a manifestações artísticas, agora ocupa espaço de
protagonismo como espect-ator. Com isso, Augusto Boal intenta popularizar o
acesso aos meios de produção teatral, configurando o método como ação artística,
cultural, política, terapêutica e pedagógica: uma ação de empoderamento.
Muitas são as frentes de atuação do método, com jogos e técnicas
9
que, em
certa medida, são sintetizados como concepção artística na obra derradeira de
Augusto Boal:
A estética do oprimido
(2009), na qual ele nos mostra que, assim
como o teatro, todas as linguagens artísticas são pertinentes aos oprimidos e às
oprimidas. Por esse prisma, cabe mencionar que o TO dialoga consonantemente
com a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire e, formando um sólido arcabouço
teórico-prático latino-americano, apresenta-se como visão filosófica de mundo
dedicada às lutas pela igualdade e pelo enfrentamento de opressões em universos
relacionais diversos
10
.
A amplitude que o distingue e seu caráter democrático fazem dele uma
importante fissura no sistema elitista e eurocêntrico, defendendo o direito à arte,
uma vez que considera que todos somos artistas, todos podemos dizer algo por
meio do teatro. Além disso, propõe uma ação decolonial ao encorajar a produção
artístico-teatral a partir de referenciais ligados à vida dos próprios oprimidos,
daquela comunidade específica, por ela enunciados e apresentados. Assim,
garante o sentido pulsante e impactante da narrativa produzida, constituindo uma
cosmovisão alicerçada em uma pedagogia dialética e plural, que faz frente ao
epistemicídio característico dos sistemas tradicionais de educação.
Sua inclinação a ser método crítico, colaborativo e socioconstrutivista nos
leva a crer na enorme contribuição que o TO e toda a obra de Augusto Boal podem
9
Teatro jornal, teatro imagem, teatro invisível, teatro legislativo, teatro fórum, arco-íris do desejo.
10
Vide sua aplicação em distintas áreas do conhecimento, como Pedagogia, Medicina e outras profissões da
Saúde, Direito, Ciências Sociais, Movimentos sociais e populares etc.
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oferecer à formação de professores-artistas-pesquisadores de Teatro, parecendo-
nos imprescindível sua presença como disciplina obrigatória nos currículos das
licenciaturas em Teatro de todo o país.
Cartografia das licenciaturas em Teatro da região Sudeste
Para verificar a presença da obra de Augusto Boal nos cursos de Licenciatura
em Teatro, foram feitos levantamentos em instituições públicas
11
da região
Sudeste do Brasil. Elencamos, portanto, oito universidades e conseguimos
alcançar dados em sete delas, vistas no mapa abaixo.
Instituições públicas da região Sudeste do Brasil que oferecem curso de
Licenciatura em teatro analisadas nessa pesquisa
Fonte: Elaboração de Iago Passos. 2021. Escala: 1:17.900.000
Para as análises que se seguem, cabe dizer que as disciplinas ofertadas
11
Todo o levantamento foi feito a partir de publicações nos sites oficiais das unidades de ensino (apresentados
nas referências finais deste artigo), com exceção das ementas do curso de Licenciatura em Teatro da UFOP;
estas nos foram enviadas diretamente pela Secretaria do Instituto de Filosofia, Arte e Cultura (IFAC). As
ementas que consultamos são do último Projeto Pedagógico de Curso (PPC) em vigor até então. Em 2019,
foi aprovado o mais recente Projeto Pedagógico. Entretanto, as disciplinas que passariam a vigorar em 2020,
o ano do início da pandemia da COVID-19 no Brasil, foram suspensas.
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constituíram nosso parâmetro fundamental. Nesse ínterim, deparamo-nos com
alguns percalços que tiveram de ser superados. Os mais significativos foram
relativos às mudanças ocorridas na renovação de alguns projetos pedagógicos dos
cursos, que buscavam fazer frente ao contexto da pandemia e à realidade do
ensino remoto por ela imposta.
Notamos que, de um modo geral, as disciplinas obrigatórias aparecem nos
sites oficiais com maior clareza para serem consultadas. O mesmo não ocorre
com as disciplinas de natureza optativa ou eletiva. No entanto, essa dificuldade
recorrente é compreensível, visto que os detalhes dessas ofertas formativas não
são pressupostos nas estruturas curriculares. Tudo isso é justificável devido ao
dinamismo na academia, onde novos conhecimentos são abarcados e outros são
revistos, um movimento que produz diferentes enlaces com interferência nas
propostas práticas e teóricas dos docentes.
Ao visualizar os dados, a constatação primeira de nossa investigação
conta de que, dentre as 266 disciplinas obrigatórias e 233 eletivas/optativas, o
nome de Augusto Boal está presente em 33, figurando nas bibliografias básicas ou
complementares, conforme o Quadro 1 a seguir.
A partir desses dados, começamos a compreender o modo como a obra de
Boal aparece. Para avançar um pouco mais, apresentamos a seguir o Quadro 2,
com todas as disciplinas que indicam as citações de Augusto Boal nas principais