Os clubes negros diante da Era das Plantações: mudanças climáticas e cosmotécnicas no Atlântico negro
DOI:
https://doi.org/10.5965/2175180318472026e0103Palavras-chave:
clubes negros, cosmotécnica, mudanças climáticasResumo
Este artigo aborda a ação dos clubes negros do Rio Grande do Sul, região sul do Brasil, diante das mudanças climáticas. A partir de uma experiência de campo desenvolvida entre 2022 e 2025, em Porto Alegre–RS, trato das enchentes que cobriram o estado gaúcho no mês de maio de 2024 enquanto uma intrusão na historicidade dos clubes negros, que requer dessas associações um reposicionamento ontológico e epistemológico. Desse modo, questiono: como os clubes negros se posicionam diante das mudanças climáticas? Como essas associações elaboram suas histórias e memórias considerando o “novo regime climático”? Para responder, utilizo um exercício descritivo e prescritivo a partir da observação das performances temporais dos clubes negros — ou seja, seus regimes de historicidade. Por fim, argumento que, atualmente, os clubes negros podem ser considerados como tecnologias da memória negra (análogo ao conceito de cosmotécnica). A fim de reagir às mudanças climáticas, os clubes devem incorporar na composição de suas contra-historicidades, baseadas no Atlântico negro, o cruzamento fundamental entre o racismo e o extrativismo ambiental da Era das Plantações, conceito alternativo e complementar ao de Antropoceno.
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