O acesso de mulheres indígenas à universidade: trajetórias de lutas, estudos e conquistas

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DOI:

https://doi.org/10.5965/2175180312292020e0103

Resumo

Embora os povos indígenas requeiram “educação superior” no Brasil desde o final do século XIX demonstrando seu intenso protagonismo, data dos anos de 1990 a formulação da política de inclusão de indígenas nas universidades públicas. Neste artigo, discutimos trajetórias de resistência, lutas e demandas dos povos indígenas, que resultaram no acesso ao ensino superior, consubstanciado por orientações internacionais e legislações nacionais. Abordamos o papel e presença da mulher nesse processo discutindo dificuldades vivenciadas e ações que empreendem para ingressar e concluir a formação. Com base em estudo documental, pesquisa de campo e dados do programa de inclusão indígena no Ensino Superior do Paraná, conclui-se que as mulheres, mesmo com um histórico de invisibilidade e todas as dificuldades vivenciadas para acessar e permanecer nas universidades distantes das suas famílias extensas, têm obtido resultados relevantes em termos de conclusão dos cursos e ampliação dos seus espaços de atuação e participação.

Palavras-chave: Mulheres indígenas. Ensino superior. Protagonismo Indígena.

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Biografia do Autor

Rosangela Celia Faustino, Universidade Estadual de Maringá

Doutora em Educação (PPGE/UFSC-SC). Professora do Departamento de Teoria e Prática da Educação na Universidade Estadual de Maringá.

Maria Simone Jacomini Novak, Universidade Estadual do Paraná- Unespar

Doutora em Educação (PPE/UEM). Professora do Colegiado de Pedagogia do Campus de Paranavaí da Universidade Estadual do Paraná.

Isabel Cristina Rodrigues, Universidade Estadual de Maringá

Doutora em Antropologia (PUC/SP). Professora do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá.

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Publicado

2020-05-01

Como Citar

FAUSTINO, Rosangela Celia; NOVAK, Maria Simone Jacomini; RODRIGUES, Isabel Cristina. O acesso de mulheres indígenas à universidade: trajetórias de lutas, estudos e conquistas. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 12, n. 29, p. e0103, 2020. DOI: 10.5965/2175180312292020e0103. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180312292020e0103. Acesso em: 18 abr. 2024.