A pós-graduação sob o olhar de cotistas negros(as): trajetórias e perspectivas de ingressantes no Mestrado em Relações Étnico-Raciais do Cefet/RJ
DOI:
https://doi.org/10.5965/19847246272026e0207Palabras clave:
ações afirmativas, cotas raciais, pós-graduação, diversidade racial, antirracismoResumen
Este artigo objetiva compreender elementos das trajetórias e perspectivas de cotistas negros(as) que se valeram do direito à reserva de vagas para acessar a pós-graduação stricto sensu em uma instituição pública federal de ensino brasileira. Em termos metodológicos, a pesquisa apresentou abordagem qualitativa, na qual foram captados elementos das experiências e olhares de 29 cotistas autodeclarados(as) negros(as) que ingressaram nos anos de 2023 e 2024 no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Relações Étnico-Raciais (PPRER) do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ), na cidade do Rio de Janeiro. Vale ressaltar que o PPRER representou um contexto promissor para a presente pesquisa, afinal, desde o surgimento do curso de mestrado vinculado ao Programa, em 2011, há cotas raciais nos processos de seleção de estudantes. Em suma, os resultados da pesquisa apontaram que cotistas negros(as) normalmente são provenientes de contextos de significativa vulnerabilidade socioeconômica, ao passo em que perfazem as primeiras pessoas de suas famílias a acessarem a pós-graduação stricto sensu. Além disso, são indivíduos que conciliam as atividades de estudo com outras demandas laborais e de cuidado consigo e com membros da família. Quando olhamos, em específico, para as perspectivas desses sujeitos, fica perceptível uma preocupação em levar os resultados das pesquisas até as comunidades das quais são provenientes, estimulando processos de transformação social. Por fim, vale ainda registrar que cotistas negros(as) demandam diálogo com intelectuais também negros(as), ao passo que almejam continuar ocupando a universidade, especialmente o lugar da docência, tornando-a mais diversa e representativa.
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