(Des)tecer a casa: o bordado como linguagem subversiva nas obras de Clara Nogueira e Mariana Guimarães
DOI:
https://doi.org/10.5965/19847246272026e0103Palavras-chave:
bordado, mulheres artistas, domesticidade, maternidade, sexualidadeResumo
Este artigo analisa obras das artistas Clara Nogueira e Mariana Guimarães que utilizam o bordado como linguagem para evidenciar questões de gênero como a domesticidade, a maternidade e a sexualidade feminina. A reflexão parte da compreensão das práticas têxteis — em especial, o bordado — como atividades historicamente associadas aos rituais de inculcação da feminilidade e aos processos de socialização das mulheres. Argumenta-se que, nesse contexto, o bordado constitui uma linguagem potente para problematizar as dinâmicas de gênero. Além disso, considerando seu estigma na historiografia da arte, mobiliza-se uma bibliografia crítica que evidencia as desigualdades históricas entre os gêneros artísticos, os quais repercutem na invisibilização das linguagens têxteis.
Downloads
Referências
BATISTELA, Kellyn. A ponta da agulha nas narrativas de si: o (des)bordado da educação sexual feminina na arte. Revista Científica/FAP, Curitiba, v. 13, n. 1, p. 1-18, jan./jun. 2016.
BLANCA, Rosa. El bordado en lo cotidiano y en el arte contemporáneo: ¿práctica emergente o tradicional? Revista Feminismos, Salvador, v. 2, n. 3, p. 19-31, set./dez. 2014. Disponível em: http://www.feminismos.neim.ufba.br . Acesso em: 18 set. 2025.
DIAS, Marina de Aguiar Casali. Trajetos têxteis: possibilidades de percursos criativos no contexto feminino. Palíndromo, Florianópolis, v. 13, n. 29, p. 199-211, 2021. DOI: 10.5965/2175234613292021199. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/palindromo/article/view/16423 . Acesso em: 19 set. 2025.
GUIMARÃES, Mariana. O fio como paisagem na mediação casa, corpo e obra. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISADORES EM ARTES PLÁSTICAS, 26., 2017, Campinas. Anais [...]. Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 2017. p. 2511-2524.
GUIMARÃES, Mariana. Livro erótico bordado. In: marianaguimaraes. [S. l.: s. n.], 2015. Disponível em: http://www.marianaguimaraes.art.br/livro-erotico-bordado/ . Acesso em: 19 set. 2025.
LIPPARD, Lucy. The pink glass swan. New York: New Press, 1995. 342 p.
MALTA, Marize. Paninhos, agulhas e pespontos: a arte de bordar o esquecimento na história. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 28., Florianópolis, 2015. Anais eletrônicos [...]. São Paulo: ANPUH, 2015. p. 1-12. Disponível em: https://anpuh.org.br/index.php/documentos/anais/category-items/1-anais-simposios-anpuh/34-snh28 . Acesso em: 10 set. 2025.
MULVEY, Laura. Visual pleasure and narrative cinema. In: MAST, Gerald. Film theory and criticism: introductory readings. New York: Oxford Up, 1974. p. 833-843.
NOCHLIN, Linda. Why have there been no great women artists? São Paulo: Edições Aurora: Publication Studio SP, 2016.
NOGUEIRA, Clara. Desnaturalizado. [S. l.: s. n.], 2022. 1 bordado.
NOGUEIRA, Clara. O trabalho de dar colo. [S. l.: s. n.], 2022. 1 bordado.
NOGUEIRA, Clara. O trabalho de pentear. [S. l.: s. n.], 2022. 1 bordado.
NOGUEIRA, Clara. O trabalho de preparar. [S. l.: s. n.], 2022. 1 bordado.
PARKER, Rozsika. The subversive stitch: embroidery and the making of the feminine. London: I.B. Tauris, 1984.
PÉREZ-BUSTOS, Tania Cristina. Gestos textiles: un acercamiento material a las etnografías, los cuerpos y los tiempos. 1. ed. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia, Facultad de Ciencias Humanas, Centro Editorial: Editorial Universidad Nacional de Colombia, 2021.
POLLOCK, Griselda. Vision and difference: feminism, femininity and the histories of art. London: Routledge, 1988.
SIMIONI, Ana Paula C. Bordado e transgressão: questões de gênero na arte de Rosana Paulino e Rosana Palazyan. Proa – Revista de Antropologia e Arte [on-line], Campinas, Ano 02, v. 01, n. 02, p. 1-20, nov. 2010. Disponível em: http://www.ifch.unicamp.br/proa/ArtigosII/anasimioni.html . Acesso em: 19 set. 2025.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Anirã Marina de Aguiar Casali Dias

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
É permitida a reprodução, distribuição e adaptação do conteúdo, desde que seja atribuída a autoria e a fonte e que o uso não seja comercial.