A rede KFC em Belo Horizonte (MG): uma leitura a partir da teoria dos circuitos da economia urbana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5965/1984724623512022211

Palavras-chave:

KFC, circuitos da economia urbana, fast-food, globalização do gosto

Resumo

O artigo discute a implantação da rede estadunidense de fast-food Kentucky Fried Chicken (KFC), especializada na venda de frango frito em baldes, em Belo Horizonte (MG). Simultaneamente, analisa o desenvolvimento de redes e estabelecimentos brasileiros que mimetizam o conceito do KFC, tendo como base a teoria dos dois circuitos da economia urbana propostos por Milton Santos (SANTOS, 1979). Estes estabelecimentos conformam, na cidade, a existência de “imitações” (vinculadas ao circuito inferior ou superior marginal), que antecederam a própria presença do “original” (representativo do circuito superior). Assim, o território revela localizações e especializações que se diferenciam pelos graus de capital, tecnologia e organização. Nessa relação dialética, observou-se que as franquias nacionais/regionais, estabelecimentos locais e filiais do KFC coexistem, originando novas composições, a depender do contexto socioespacial existente nos lugares e abrigando superposições de divisões sociais, territoriais do trabalho e distintos agentes que atuam de forma interdependente. A pesquisa se apoiou em entrevistas semiestruturadas e trabalhos de campo realizados em unidades do KFC, franquias brasileiras e estabelecimentos locais no município de Belo Horizonte (MG).

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Biografia do Autor

Marina Araújo, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

Mestranda em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.

Fábio Tozi, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo -USP. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG.

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Publicado

2022-05-13

Como Citar

ARAÚJO, M.; TOZI, F. A rede KFC em Belo Horizonte (MG): uma leitura a partir da teoria dos circuitos da economia urbana. PerCursos, Florianópolis, v. 23, n. 51, p. 211 - 237, 2022. DOI: 10.5965/1984724623512022211. Disponível em: https://revistas.udesc.br/index.php/percursos/article/view/21075. Acesso em: 15 ago. 2022.