Pery e Iberê:
Uma análise histórico-musicológica da vocalidade de dois indígenas no palco
DOI :
https://doi.org/10.5965/2525530411022026e0106Mots-clés :
Ópera, Canto lírico, Vocalidade, Musicologia históricaRésumé
Antônio Carlos Gomes foi um compositor de óperas ativo na Itália e no Brasil entre as décadas de 1870 e 1890, período marcado por profundas transformações na ópera italiana, culminando na giovane scuola no início do século XX. Dentre essas transformações, destaca-se a evolução de categorias vocais no palco— aspecto ao qual Gomes não permaneceu alheio. Este artigo propõe uma análise histórico-musicológica da criação de dois primo uomo indígenas em suas óperas: Pery (Il Guarany, 1870), estreada em Milão, e Iberê (Lo Schiavo, 1889), estreada no Rio de Janeiro. O objetivo principal é evidenciar inovações pouco comentadas de um compositor brasileiro plenamente sintonizado com as tendências do melodrama italiano, oferecendo assim uma contribuição científica sobre o tema. Para isso, foi conduzida uma investigação sobre modificações da velha escola do bel canto para um novo modelo de vocalidade com base em bibliografia especializada sobre Verdi e contemporâneos de Gomes, análises da crítica jornalística da época, do epistolário do compositor com seus intérpretes, bem como do pensamento pedagógico vocal presente em tratados (GARCIA FIGLIO, 1860; GIRALDONI, 1889) recorrendo às pesquisas sobre técnica vocal moderna de Richard Miller (1993, 2008, 2011) e de musicologia da ópera por Rodolfo Celletti (1979, 1987, 1996). Os resultados revelam Gomes como um compositor de personalidade marcante, seguro de suas escolhas artísticas e plenamente atualizado com os debates de seu tempo. Com Pery (1870), Gomes antecipa uma abordagem vocal que apenas viria a ser plenamente desenvolvida em Otello (1887).
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