Trajetórias diaspóricas indígenas no tempo presente: terras e territórios Atikum, Kamba e Kinikinau em Mato Grosso (do Sul)

Giovani José da Silva

Resumo


Ao refletir sobre terras e territórios no Brasil e na América Latina, a partir dos sujeitos sociais, da memória histórica e das políticas públicas no tempo presente, entra em cena a questão das terras indígenas. Mato Grosso do Sul, estado brasileiro localizado na região Centro-Sul, tem atualmente uma das maiores populações indígenas do país, de acordo com o último recenseamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010. É, também, um dos estados em que há intensos e contínuos conflitos entre fazendeiros e indígenas, situação que se arrasta, pelo menos, desde o século XIX, especialmente após o final do conflito conhecido como Guerra do Paraguai (1864-70). Compreender as trajetórias das diversas sociedades indígenas presentes no antigo “sul do Mato Grosso” não é tarefa das mais simples, haja vista que, historicamente, essas populações estiveram submetidas a um gradativo e violento processo de concentração em pequenas porções de terras. Este artigo apresenta trajetórias diaspóricas e processos de territorialização/desterritorialização/reterritorialização ocorridos na história dos Atikum, Kamba e Kinikinau, que, em pleno século XXI, ainda lutam por uma visibilidade que lhes garanta respeito a direitos que têm sido negados sistematicamente. Para a compreensão dessas presenças indígenas em Mato Grosso do Sul no tempo presente foram utilizados dados obtidos em trabalhos de campo, realizados pelo autor nos últimos 20 anos, além de acurada revisão de literatura, o que revela percalços – bem como estratégias/táticas de sobrevivências física e cultural – das trajetórias vividas pelos grupos ao longo do século XX e no início do século XXI.

Palavras-chave: Emigração e Imigração – Aspectos Sociais. Índios da América do Sul – Posse da Terra. Mato Grosso do Sul.


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DOI: https://doi.org/10.5965/2175180311282019098