Biopolítica como categoria analítica dos eventos políticos contemporâneos: nas trilhas de Esposito e Nietzsche

Angela Couto Machado Fonseca, Ildenilson Meireles

Resumo


A discussão aqui proposta parte da leitura da biopolítica como marcador conceitual capaz de pensar de forma mais adequada as expressões da política contemporânea. A partir dessa localização, passamos à exposição do Paradigma Imunitário pensado por Roberto Esposito como dispositivo conceitual central da biopolítica. Ao fazer uso de uma metodologia analítica pretendemos colocar os conteúdos da noção de communitas e immunitas, para compreender os motivos que levam Roberto Esposito a afirmar que essa relação responde pelo próprio ciclo da biopolítica e justifica sua tomada protetiva ou letal da vida e os mecanismos de hierarquização de formas de vida. Após analisar os sentidos de comunidade, imunidade e biopolítica, passamos a investigar o que leva Esposito a entender que Nietzsche teria sido o autor que melhor compreendeu a lógica imunitária da modernidade. O presente trabalho tem a intenção de mostrar que o pensamento de Esposito e sua interpretação de Nietzsche, colocam várias das questões hoje em pauta. As tomadas da vida pelo poder, os critérios de seleção e exclusão de certas formas de vida e a disputa sobre a legislação do que vem a ser o humano cuja vida vale viver. Todas essas questões são aqui retomadas como presentes em Esposito e existentes de modo subjacente em Nietzsche.

Palavras-chave: Paradigma Imunitário. Biopolítica. Vida. Poder.

Texto completo:

PDF

Referências


CAMPBELL, Timothy. Política, imunidade, vida: o pensamento de Roberto Espositono debate contemporâneo. In: ESPOSITO, Roberto. Termos da Política:Comunidade, Imunidade, Biopolítica. Tradução: Luiz Ernani Fritoli, Angela CoutoMachado Fonseca, João Paulo Arrosi, Ricardo Marcelo Fonseca Curitiba: EditoraUFPR, 2017._____________. Bíos: biopolítica e filosofia. Tradução de M. Freitas da Costa.Lisboa: Edições 70, 2010._____________. Termos da Política: Comunidade, Imunidade, Biopolítica.Tradução: Luiz Ernani Fritoli, Angela Couto Machado Fonseca, João Paulo Arrosi,Ricardo Marcelo Fonseca. Curitiba: Editora UFPR, 2017.____________. Communitas: origine e destino dela comunità. Torino: EinaudiEditori, 2006.FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade 1: a vontade de saber. Tradução deMaria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro:Edições Graal, 1988.________________. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 1999.NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e paraninguém. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. _______________. Crepúsculo dos Ídolos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. _______________. Genealogia da Moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia dasLetras, 1998.




DOI: http://dx.doi.org/10.5965/2175180311262019530

Contato:
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Centro de Ciências Humanas e da Educação - FAED
Programa de Pós-Graduação em História - PPGH
Av. Madre Benvenuta, 2007 - Itacorubi - Florianópolis - SC
CEP: 88.035-001            Telefone: (48) 3664-8585
tempoeargumento@gmail.com