Acordes D`Além-Mar - Memórias das Bandas Filarmônicas Portuguesas nas Américas no Século XX

Antonio Henrique Seixas de Oliveira, Diana de Souza Pinto

Resumo


As bandas filarmônicas são das manifestações culturais mais significativas na vida social portuguesa, sobretudo, nas regiões centro e norte do país (Granjo, 2005). Observa-se que, no contexto do associativismo migrante, o elo de memória com a tradição e os costumes portugueses é estabelecido nas celebrações e instituições criadas pelos migrantes que constituem lugares de memória (Nora, 1993) nos quais as representações simbólicas e ritualizações portuguesas são materializadas, dentre elas, as bandas filarmônicas, objeto deste estudo de doutoramento com foco na cidade do Rio de Janeiro.  Investigamos a atividade filarmônica de migrantes portugueses inicialmente naquela cidade e, em numa perspectiva sincrônica, o fizemos em escala planetária nos séculos XX e XXI. Desenvolvemos extensa revisão de literatura sobre migração portuguesa, pesquisa em periódicos locais e na Internet e contatamos músicos e dirigentes associativos no Rio de Janeiro, Estados Unidos, Canadá e Venezuela. Neste artigo, discutimos a distribuição das bandas filarmônicas portuguesas em atividade na diáspora da migração portuguesa nas Américas articulando-a aos fluxos migratórios que lhes deram origem. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, existem atualmente duas bandas filarmônicas portuguesasem atividade – a Banda Portugal e a Banda Irmãos Pepino, fundadas, respectivamente, em 1921 e 1958. Todavia, a pesquisa realizada nos periódicos locais revelou que diversos grupos congêneres foram criados e encerraram suas atividades nesta cidade como a Banda do Centro Musical da Colônia Portuguesa (1920-1930), a Banda Lusitana (1923-1998) e a Banda União Portuguesa (1924-1929).

 

Palavras-chave: Bandas Filarmônicas. Portugal. Migração. Américas. Memória.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5965/2175180309222017008

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