Humor e liberdades: um breve ensaio sobre ser Charlie

Vinícius Liebel

Resumo


A violência perpetrada por alguns grupos fundamentalistas islâmicos nos últimos anos, em especial o assassinato dos chargistas franceses do Charlie Hebdo, no início de 2015, trazem à tona questionamentos nas sociedades ocidentais acerca da natureza de seu sistema econômico, de sua inserção global, da democracia e, particularmente, das liberdades. Este artigo toma algumas das charges de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2005, e no jornal francês Charlie Hebdo, em 2012, e explora seu humor, sua violência e as reações que suscitaram. As breves reflexões resultantes da análise desses casos nos levam a uma discussão acerca da tradição “ocidental” da sátira, sobre a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, além da própria ideia de democracia. São observadas teorias de autores clássicos, como Montesquieu e Stuart Mill, além de autores contemporâneos que pensaram as liberdades democráticas, como John Rawls e Pierre Rosanvallon, situando esse pertinente debate da contemporaneidade na longa duração. Este breve ensaio promove o debate acerca dos limites do humor, em especial em sua relação com religiões e com a política na contemporaneidade.

 

Palavras-chave: Humor; Liberdade; Democracia; Caricaturas e Desenhos Humorísticos, Maomé.

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DOI: https://doi.org/10.5965/2175180308182016268

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