A vida, a obra, o que falta, o que sobra: memorial acadêmico, direitos e obrigações da escrita

Wilton C. L. da Silva

Resumo


O memorial acadêmico é uma narrativa pessoal do percurso de formação intelectual e profissional de um docente universitário, exigido em concursos públicos para a progressão de carreira. Forma de escrita de si, condicionada por uma tradição institucional, agrega, a partir da década de 80, uma carga maior de subjetivação e oferece-se como objeto privilegiado de análise da escrita autobiográfica, pois nela se mesclam a trajetória pessoal e a intelectual, em um dos raros momentos em que se apresenta como legítima a fala do acadêmico sobre si mesmo. A partir da análise de três memoriais acadêmicos de professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, de Paulo Argemiro da Silveira Filho, Heloísa Fernandes e Scarlett Marton, apresentados em concursos públicos em 1991, 1992 e 2003, respectivamente, busca-se discutir algumas particularidades desse gênero narrativo enquanto fonte de pesquisa.

 

Palavras-chave: Professores Universitários -  Concursos; Autobiografia; Memória Autobiográfica.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5965/2175180307152015103

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