“Os Animais que Confessam”: Contribuição para uma História de Longa Duração da Entrevista de História Oral

Alexander Freund

Resumo


Os historiadores orais se concentram há muito tempo na entrevista como principal método de pesquisa e defendem antecedentes que remontam à antiguidade, porém, eles não têm estudado a história de longa duração da entrevista. Este artigo é uma exploração preliminar do modo como os historiadores orais podem começar a escrever uma história da entrevista que enfatize as semelhanças estruturais entre práticas tão distintas como as confissões religiosas e jurídicas, as anamneses médicas e a psicanálise, a Inquisição e os interrogatórios policiais, a entrevista jornalística e a história oral. Examina-se a história da confissão na igreja, a difusão da psicanálise no século XIX, o surgimento de uma “sociedade da entrevista” após a Segunda Guerra Mundial e o fenômeno, do final do século XX, de uma cultura de massa da confissão. Com base em Michel Foucault, este artigo revela que as entrevistas face a face, com questões acerca da vida dos indivíduos, são uma tecnologia do self que constitui o “sujeito moderno”. As entrevistas pessoais, mais do que revelar algo sobre um “verdadeiro” eu interior ou uma experiência autêntica, ensinam tanto aos entrevistadores como aos entrevistados o modo “correto” de ser. Essa interpretação da entrevista põe em xeque a hipótese de que a entrevista de história oral é uma ferramenta de pesquisa neutra que pode ser empregada para revelar algo sobre o passado, empoderar indivíduos e compartilhar autoridade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5965/2175180306132014203

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