FAMÍLIAS OPERÁRIAS MINEIRAS E RELAÇÕES DE GÊNERO: a construção do feminino através de cursos populares na região carbonífera catarinense (1950-1960)MINING FAMILIES AND GENDER INEQUALITIES

Ismael Gonçalves Alves

Resumo


No auge de sua atividade mineradora, o município de Criciúma atraiu para suas minas de carvão milhares de pessoas que se deslocaram do litoral sul de Santa Catarina em busca de emprego na cidade. Sem experiências concretas com o mundo urbano e do trabalho, regulado pelo tempo e pela produtividade, estes novos habitantes foram apontados pelos empresários e pelas elites locais como responsáveis pela baixa produtividade do setor e pelos problemas médico-sanitários que afetavam cotidianamente a cidade. A fim de reverter esta situação, a Carbonífera Próspera S.A., o SESI-SC e a ordem religiosa das Pequenas Irmãs da Divina Providência, iniciaram um amplo processo de remodelação de suas práticas cotidianas, do qual a família, centrada na figura da mulher (esposa e mãe), foi o alvo principal. O modelo de feminilidade adotado pela ordem religiosa, hegemônico em boa parte da ocidentalidade, era aquele em que a mulher só encontraria realização e felicidade plena dentro do ambiente doméstico. Para dar conta de tal empreitada, foi desenvolvida uma série de cursos populares direcionados ao espaço doméstico, reforçando a imagem da mulher como esposa, dona-de-casa e mãe-de-família.

 

Palavras-Chave: Relações de Gênero. Família. Biopolítica.



  Abstract

  At the peak of mining activity, the city of Criciúma attracted to the coal mines hundreds of people who moved from the South Coast of Santa Catarina, hoping to get work in the city. Without experience in the urban world or the mining industry, and regulated by time and productivity, thenew residents were blamed by the businessmen and local elite as responsible for the low productivity of the industry and for the medical/sanitary problems that affected the daily life of the citizens. In order to reverse the situation, the industry of coal Próspera Inc, SESI-SC and the religious organization Little Sisters of Divine Providence, started the process by remodeling daily living practice, of which the women were the center of the family, as wives and mothers. The model of femininity as adopted by the religious order, hegemonic in much of the westernization, was the one in which the woman would only find fulfillment and true happiness in the domestic environment. To realize this task, we designed a series of popular courses directed to the domestic space, enhancing the image of the woman as wife, housewife and family mother.

Key-Words:
Gender. Family. Biopolitics.


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