Canto de xangô: uma tópica afro-brasileira

Juliana Ripke da Costa

Resumo


Este artigo pretende analisar e demonstrar as características e utilização de tópicas musicais afro-brasileiras dentro de algumas obras do compositor Heitor Villa- -Lobos e outros compositores brasileiros como Camargo Guarnieri, Moacir Santos e Baden Powell. Desta forma, será feito o estudo, identificação e sistematização das principais características do tipo xangô proposto e identificado por Eero Tarasti na obra de Villa-Lobos, e de uma das tópicas mais utilizadas por Villa-Lobos, que aqui chamaremos de tópica canto de xangô, considerada pelo autor um arquétipo da qualidade de afro-brasileiro. Entendendo que a tópica é uma figura de representação, analisarei também como Villa-Lobos e posteriormente outros compositores brasileiros representaram a música e a cultura afro-brasileira em suas obras através do tipo xangô e da tópica canto de xangô. O papel desempenhado pelas tópicas musicais Afro-brasileiras serão abordados por meio de uma combinação de algumas técnicas analíticas e estratégias semióticas de significação; assim, será possível alcançar uma melhor compreensão da estrutura e do discurso musical. Este estudo destina-se a ajudar a nossa compreensão da cultura africana como parte formadora e intrínseca da cultura brasileira e da “brasilidade”, reforçando a ideia de fusão cultural que permeia a cultura e a música brasileira.


Palavras-chave


música - análise, apreciação; análise musical; semiótica da música; música - influência africana - século 20 - Brasil

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DOI: https://doi.org/10.5965/2525530401012016044

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