O corset como objeto-fetiche na Inglaterra Vitoriana e as crises de valores nas dinâmicas entre classe e gênero

Roseana Sathler Portes Pereira

Resumo


Este artigo busca explorar as relações entre o corset e o fetichismo no século XIX e começo do século XX. Apoiado pela perspectiva de Anne McClintock em Couro imperial - Raça, gênero e sexualidade no embate colonial sobre o fetiche e as dinâmicas entre classe e gênero, o protagonismo do corset na manutenção da ociosidade doméstica feminina vitoriana é analisado. A investigação sugere que a crise de valor produzida pelo conflito entre os espaços públicos e privados, pela relação entre a agência masculina e a estagnação feminina e a impossibilidade do gozo do ócio feminino são encarnadas no corset que se converte em objeto-fetiche. A recuperação dos escritos de Freud, o estudo das genealogias do fetiche e a retomada de sua origem etimológica amplia as perspectivas de significação para a relação do corset com o corpo feminino oitocentista, cuja silhueta, desenhada pela corseteria, demarcava calculadamente as possibilidades de seu papel social.


Palavras-chave


corset; fetichismo; período vitoriano;

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DOI: https://doi.org/10.5965/1982615x13292020014

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