BRINCATELIER: BRINCANTES NOS TERRITÓRIOS DAS INFÂNCIAS

Jainê Silva Santos Ribeiro, Cristiana Santos Ferreira, Elienai Santos Barreto, Marivaldo Cruz do Amaral

Resumo


BRINCATELIER: BRINCANTES NOS TERRITÓRIOS DAS INFÂNCIAS

 

Vivendo em uma sociedade cada vez mais virtual, onde os sentidos se perdem em visores, no toque das telas e nos sons que vem dos fantásticos aparelhos tecnológicos adorados pela grande maioria dos terrestres, e em especial as crianças, optamos começar este escrito nos interrogando: você já ouviu ou leu a voz de suas crianças? O que elas dizem? Enquanto protagonistas do seu vir a ser o que elas pensam ou querem viver e experimentar? E então já fez isso hoje ou nos últimos três dias? Fazemos então um convite a ouvi-las e senti-las com o intuito de contribuir para a sua formação fundamentada na cultura do brincar (FRIEDMANN, 2013), um dos pilares que complementam a educação da primeira infância ao lado da cuidar e educar.

 

Brincar para criança significa: agir, criar, pensar, imaginar, sonhar e (re)criar a realidade. Para elas, brincar é tão essencial quanto comer, a brincadeira constitui-se em cadeias multiformes para alimentar a criação, o pensamento, a linguagem, a emoção, sentimentos, dentre outras funções cerebrais, produzindo significações e sentidos, mobilizando suas aprendizagens e desenvolvimento.

 Pensar estes processos nos remete a uma reflexão sobre as crianças e suas infâncias, seus territórios de pertença, suas culturas, suas formas de interagir com os saberes e sabores próprios das infâncias, na perspectiva de trazer a cultura brincante para o fazer pedagógico das creches e escolas e então para a formação das crianças.

Quem são estes brincantes nos espaços-tempos das escolas e creches? De que brincam? Como brincam? Seriam as crianças? Somente ela? Quais seriam estes territórios do brincar? Seriam eles os territórios concretos, os territórios da subjetividade dos brincantes em seus brincares, ou ambos? Quem ensina os brincantes a brincar? Destas inquietações surge o Brincatelier, um espaço-tempo formativo para os professores da Educação Infantil da rede municipal de ensino do município de São Francisco do Conde na Bahia.

Forma(ação) de brincantes: seus saberes e seus brincares

Para tecer o Brincatelier necessitamos de muitos fios para que pudéssemos enlaçar duas idéias fundantes os brincares e os diferentes territórios, aqui representados pelo atelier, que nada mais é que: espaço-tempo de trabalho, lugar de criação de todas as formas de linguagens artísticas, de ideias, conceitos e concepções, que possibilitam experimentar, vivenciar, experenciar, explorar, manipular e (re)criar as formas de ser e viver no mundo. O atelier desafia a criação e a utilização de recursos, técnicas e multimeios de criação potencializando os brincares e a ação brincante.

Ao propormos este projeto, temos por objetivo a formação em atos de currículos (MACEDO,2013) de sujeitos brincantes, e então práticas que corroborem para o processo de desenvolvimento da criança em sua plenitude, fomentado pela ação do brincar, enquanto formamos os profissionais da educação infantil para a ação curricular forjada na cultura das infâncias e na cultura do brincar.

Tecemos então o I Brincatelier no formato de seminário, contando com três momentos distintos: conferência, espaço-tempo do brincar livre e oficinas a ser realizado anualmente. Os brincantes de uma forma geral neste primeiro momento participaram ativamente do trabalho, fazendo uma avaliação positiva do projeto. Temos percebido o compromisso dos brincantes adultos com a ressignificação e planejamento cotidiano de ações brincantes nos territórios dos brincares, escolas e creches da Educação Infantil do município.

Palavras chave: Brincantes – Territórios - Infâncias

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Referências


FRIEDMANN, ADRIANA- Linguagens e Culturas infantis. São Paulo: Cortez Editora. 2013

MACEDO, ROBERTO SIDNEI.; BARBOSA OMARAZEVEDO- Infâncias~devir e currículo: a afirmação do direito das crianças a (aprendizagem) formação. Ilheus: Editus, 2013.


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