A contação de história afro e indígenas na Educação Infantil

Jéssica Santos, Renata Machado

Resumo


A contação de histórias está vinculada a proposta da tradição oral, visando práticas com poder de ação para a  transformação de uma sociedade através de histórias, lendas, canções entre outros. Ao pensarmos a sala de aula na educação infantil, é relevante compreender que essas narrativas podem ser um recurso didático-pedagógico, que fortalecem e estimulam habilidades cognitivas, potencializando o desenvolvimento das linguagens e criatividades nos educandos. Nota-se, entretanto, a forte presença erocêntrica nas narrativas literárias encontradas na sala de aula reproduzindo a política de embranquecimento tão recorrente em nosso país, vale ressaltar, que a inserção na literatura desde a infância, torna-se de grande valia na formação de leitores. A pesquisa “A Contação de histórias afro indígenas na educação infantil” surgiu de uma demanda da sala de aula, onde em todas as obras a presença eurocêntrica foi expressiva, ou seja, como professor acabamos reproduzindo a política de embranquecimento. Por essa razão, este fato é relevante de ser estudo na contemporaneidade, pois com a Lei 10.639/11.645 tornou-se obrigatório o ensino da história e da cultura afrobrasileiras e indígenas nas escolas, como forma de legitimar o reconhecimento e valorização dessas matrizes na formação do povo brasileiro. Dessa forma, é preciso inseri-las nas práticas pedagógicas e não somente em datas comemorativas, pois estas narrativas se incorporam a nossa cultura e são fontes enriquecedoras de vivências, possibilitando saberes imprescindíveis para as crianças. Segundo Santos (2005), a escola precisa se firmar como um espaço que valoriza a diversidade cultural, as trocas de experiências, o respeito mútuo e dessa forma, ajudar a promover a desconstrução de estereótipos racistas. O principal objetivo dessa pesquisa é levar para o cotidiano escolar as narrativas afro indígenas, promovendo uma proposta interdisciplinar deste da educação infantil. Acreditamos que a escola tem um papel fundamental de promover uma proposta multiculturalista que trabalhe as pluralidades culturais, no entanto, isto ainda é um desafio, pois dificilmente encontramos projetos pedagógicos dispostos a ir além da visão colonialista do currículo escolar, e assim perdendo o principal beneficio que é levar o educando a conhecer e se identificar na história,  tendo em vista que a contação é articuladora de experiências ampliando o horizonte do aluno e assim preparando para o exercicio de cidadania ajudando na desconstrução de modelos estereotipados.


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