Desafios educacionais em contextos multilíngues de ensino: uma proposta curricular inclusiva com línguas de sinais e neurociências.

Nayla Schenka Ribeiro, Alfred Sholl Franco

Resumo


No Brasil, a partir da lei nº 10.436 de 2002, reconhecendo a língua brasileira de sinais (LIBRAS) como o meio legal de comunicação e expressão nacional além da língua portuguesa, os direitos e as garantias sociais e educacionais dos sujeitos surdos se ampliaram e ganharam força. Nessa direção, regulamentando a lei, o decreto nº 5.626 de 2005 dispõe de uma série de providências que têm sido adotadas nas mais diferentes instâncias, destacando-se as escolas bilíngues ou comuns da rede regular de ensino para alunos surdos e ouvintes, a preparação de docentes em diferentes áreas de conhecimento e a presença obrigatória de intérpretes nesse processo. Nesse contexto, a sala de aula de inglês enfrenta um grande desafio, diante do universo multilíngue e simbólico de representação e culturas diferentes que ali se manifestam e das competências humanas e intelectuais necessárias para o desenvolvimento de eficácia no ensino e efetividade na inclusão. Portanto, sob uma perspectiva multidisciplinar, este trabalho se propõe a questionar o ensino tradicional de inglês e refletir acerca de um novo formato, considerando o cenário de Português-Inglês, Português-Língua Brasileira de sinais (LIBRAS) e Inglês-Língua Americana de Sinais (ASL), valorizando estudos neurocientíficos durante a gestão de conhecimento, a troca de experiências e participação ativa de todos os alunos, professores e intérpretes na sala de aula. Neste estudo, a pesquisa de campo  é de natureza qualitativa com abordagem etnográfica abrangendo espaços formais - escolas especializadas de ensino bilíngue de Português-Libras, assim como as de ensino tradicional com inglês e/ou Língua americana de sinais na grade curricular – e espaços informais, destinados a um público de instituições atendidas pelo Museu Itinerante de Neurociências (MIN) nos municípios do Rio de Janeiro e Grande Rio. Resultados parciais, observados em oficinas realizadas nos espaços visitados pelo MIN, demonstram que, apesar de resistências e crenças que dificultam mudanças imediatas nas instituições de ensino, há receptividade e interesse para compreender, no processo ensino-aprendizagem, a importância do universo multilinguístico, multimodal de comunicação; de culturas e identidades surdas; do papel das línguas de sinais, das neurociências, das funções do cérebro e do respeito à liberdade e diversidade de ser e de aprender na escola e na vida, firmando-se, nesse sentido, a relevância desse trabalho.


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