A educação literária e currículo: a dimensão estética e poética na formação de professores da escola básica

Lilane Maria de Moura Chagas, Jilvania Lima dos Santos Bazzo

Resumo


A presente comunicação tem como tema central a educação literária na formação de professores da escola básica com foco na dimensão estética e poética, cujo objetivo principal é contribuir para o debate acerca do tempo e do espaço destinado à literatura nos currículos dos cursos de licenciatura. Trata-se de investigar sobre a relação entre o campo da Didática (SACRISTÁN e GÓMEZ, 1998; SANTOMÉ, 2013) e o papel mediador do professor (VIGOTSKI, 2001), refletindo sobre a função das narrativas literárias como potencializadoras da imaginação criadora e de saltos qualitativos para a formação humana. Problematiza-se o caráter instrumental do uso do texto literário na escola, contrapondo-o à ideia da literatura como arte e como direito fundamental (CÂNDIDO, 2012; COUTINHO, 2015; BENJAMIN, 1987). Discorre-se sobre a dimensão estética e poética na formação humana mediante a compreensão das condições humanas vigentes apresentadas por Georg Lukács (1982; 1970). Busca-se, para isso, discutir a formação de professores, da educação infantil e do ensino fundamental, entendendo que uma das funções primordiais da docência é a sua condição de ser leitora e mediadora da leitura literária – possível somente em razão de um processo de construção social, decorrente de experiências e ações mediadoras. De caráter documental e bibliográfica, a pesquisa se vincula a uma concepção de realidade, de mundo e das relações sociais, o que a constitui em uma mediação no processo de apreender e de desvelar os fenômenos.  Neste sentido, questiona-se como a dimensão Estética e poética se constitui como fio condutor da posição teórico-prática nas formações de professores e quais suas implicações para o trabalho pedagógico. Por que (e para que) eleger a dimensão Estética e poética como fundante do percurso formativo dos professores? De que maneira a arte, em geral, e a obra literária, em particular, podem garantir a qualidade da formação continuada desses professores? Por essa razão, subjacente a estas questões, a teoria orienta o conhecimento relacionado à formação de professores leitores a uma concepção de realidade complexa, contraditória e em movimento. Ressalta-se que se trata de um recorte sem qualquer pretensão de realizar generalizações a partir de regularidades ou descontinuidades encontradas nas leituras das fontes analisadas. Ao contrário, entende-se que os dados revelados se constituem como tendências possíveis para ajudar na qualificação e aprimoramento da formação leitora. A expectativa é que esta pesquisa, focada nas questões sobre a educação literária, possa contribuir para efetivar possibilidades curriculares que garantam o direito dos leitores a um amplo repertório de textos e gêneros, produzindo familiaridade com a leitura de livros com apreciação estética e dimensão formativa da literatura.

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Referências


BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política. Obras escolhidas. Volume I. Tradução de Paulo Sergio Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1987.

CANDIDO, A. Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2012.

COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2015.

LUKÁCS, G. Estetica. Cuestiones previas y de principio. Vol 1. Barcelona: Grijalbo, 1982.

LUKÁCS, G. Introdução a uma estética marxista. Tradução Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970. (Coleção Perspectiva do Homem, volume 33, Série Estética)

SACRISTÁN, J.G.; GÓMEZ, A.I.P. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

SANTOMÉ, J.T. Currículo escolar e justiça social: o cavalo de Tróia da educação. Porto Alegre: Penso, 2013.

VIGOTSKI, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. Tradução Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2001.


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