INTEGRAÇÃO CURRICULAR E FORMAÇÃO INTEGRAL: TRAJETÓRIAS E INTER-RELAÇÕES

Jane Bittencourt, Ilana Laterman

Resumo


Esse trabalho apresenta algumas reflexões resultantes de uma pesquisa, atualmente em etapa de finalização, que buscou analisar, na perspectiva da análise documental, de que maneira a integração curricular se faz presente, com permanências e mudanças, nos documentos curriculares direcionados para a educação básica, principalmente a partir dos anos 2000.  Como a proposta de educação integral, associada ao princípio educativo de formação humana integral, se torna evidente nas diversas diretrizes curriculares brasileiras publicadas a partir de 2010, assim como nos programas de governo voltados para a implementação gradativa da educação em turno integral no Brasil, ambas as questões, isto é, a integração curricular e a formação integral, passam a se apresentar, embora com argumentações diferenciadas, de maneira inter-relacionada no debate curricular. Com base nesta problemática, procuramos, a partir dos resultados da pesquisa e ainda da experiência desenvolvida nos últimos anos no âmbito da formação de professores, explorar alguns de seus aspectos teóricos e metodológicos, com foco no desenvolvimento curricular. Para isso, analisamos, inicialmente, de que forma a integração curricular é proposta como princípio organizador do currículo, desde os Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados a partir de 1998 e de que maneira esta proposta permanece presente, com alterações, nas Diretrizes Curriculares para Educação Básica, datadas de 2010. Em seguida, consideramos de que maneira este princípio se mescla à proposta de formação humana integral, conforme consta nos programas, datados deste mesmo período, direcionados à ampliação da jornada escolar. Apontamos de que modo e atual proposta de educação integral é edificada com base, por um lado, em propostas educativas inspiradas nas ideias de diversos educadores como Paulo Freire, Célestin Freinet e Anísio Teixeira, que já haviam contribuído para o arcabouço reflexivo e propositivo no passado da educação integral brasileira. Por outro lado, apontamos outros aspectos presentes na construção argumentativa do princípio educativo para a educação integral hoje, a partir de pressupostos curriculares contemporâneos, baseados na consideração da diversidade sociocultural, na interculturalidade, na multiplicidade de espaços e tempos educativos para além da escola e, ainda, na educação inclusiva. Concluímos este trabalho afirmando que as propostas educativas atuais, particularmente centradas na ampliação da jornada escolar e na formação integral, remetem, certamente, a uma necessária reorganização dos saberes escolares na perspectiva da integração curricular, tendo em vista as evidentes limitações dos currículos estritamente disciplinares. No entanto, também ultrapassam esta perspectiva, pois têm em vista  atingir objetivos educacionais mais amplos, que envolvem a consideração das diversas dimensões constitutivas dos sujeitos da escola, ou seja, a dimensão cognitiva, afetiva, lúdica, simbólica, social, cultural, antropológica. Pretende-se, assim, a implementação de práticas educativas escolares que possam corresponder às demandas dos processos de socialização de crianças e de jovens no mundo de hoje, vivendo e interagindo em sociedades cada vez mais complexas. 


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