O ENSINO DE FUNÇÕES NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA EXPERIÊNCIA EM DUAS VIAS

Gabriel Macicieski, Silvia Teresinha Frizzarini, Elisa Henning

Resumo


O presente trabalho tem a intenção de relatar as experiências de ensino realizadas nas aulas de Laboratório de Ensino de Matemática IV (LEM IV) no curso de Licenciatura em Matemática da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho experimental, onde são descritas duas aulas, uma tradicional e outra diferenciada com o auxílio de recursos apropriados para a elaboração e execução das aulas, desde que entrassem nessas duas vias. Na aula tradicional, os recursos utilizados foram quadro e giz, para introduzir o conteúdo sobre função real de uma variável real, com segmento dos conteúdos baseados nos livros didáticos. A aula seguiu o padrão de teoria-exemplo-exercício que, segundo as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006, p.80), tal concepção é apontada como uma “[...] transmissão de conhecimento, e aprendizagem com mera recepção de conteúdos. Nessa concepção, a aprendizagem é vista como um acúmulo de conhecimentos, e o ensino baseia-se essencialmente na “verbalização” do conhecimento por parte do professor”. Para a aula diferenciada foi planejada uma investigação sobre o estudo de funções e suas translações com o auxílio do software Geogebra e, assim, havendo o deslocamento para uma sala com computadores.  A investigação foi feita por meio de um questionário aplicado aos alunos previamente elaborado com um plano de aula. A aula diferenciada foi baseada na investigação, de modo que os alunos iam testando e observando cada uma das questões no Geogebra, analisando e, ao final, chegando às conclusões por eles mesmos, enquanto o professor os orientava de forma a sintetizar todos os resultados e auxiliar no caminho da investigação. Pesquisas realizadas tanto no Brasil como em Portugal, mostram que esse tipo de atividade de natureza investigativa, exploratória ou aberta tem ganhado muita visibilidade nos currículos escolares. Nos currículos brasileiros, a investigação vem ganhando espaço, como mostra os Parâmetros Curriculares Nacionais, em que as atitudes investigativas apresentam-se como um dos objetivos para o ensino ao: “[...] perceber o caráter de jogo intelectual, característico da Matemática, como aspecto que estimula o interesse, a curiosidade, o espírito de investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas” (BRASIL, 2001, p.47). Em Portugal, Ponte (2006) mostra em suas pesquisas o caráter investigativo da matemática nas aulas, de forma a colaborar na promoção da aprendizagem, levando os alunos a desenvolver novas capacidades e a adquirir novos conhecimentos. Com a experiência realizada em questão, pode-se notar, além de alguns dos resultados presentes em pesquisas já realizadas, uma diferença significativa, principalmente, em relação à atenção dos alunos que respondiam de forma satisfatória aos problemas propostos, participando ativamente da aula diferenciada, tanto com o uso do Geogebra como na discussão e nos questionamentos realizados pelo professor; ao contrário do que acontecia na aula tradicional. Concluímos que, experiências como esta auxiliam na formação do futuro professor de Matemática, pois permitem que o mesmo inicie suas atividades, desde o planejamento até a avaliação e reflexão de suas aulas e compreenda a importância da participação do aluno no processo de ensino-aprendizagem. 


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Referências


BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais (1ª a 4ª série): Matemática. Brasília: MEC/SEF, 2001.

PONTE, J. P., BROCADO, J., OLIVEIRA, H. Investigações Matemáticas na Sala de Aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

BRASIL. Orientações curriculares para o ensino médio: Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Disponível em: . Última visita em 07/12/2017.


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