RECURSOS DIDÁTICOS PARA A ACESSIBILIDADE DE ALUNO COM ESPECTRO AUTISTA NAS AULAS DE MATEMÁTICA

Silvia Teresinha Frizzarini, Claudete Cargnin, Rogerio Aguiar

Resumo


Este trabalho discorre sobre a acessibilidade aos recursos didáticos por alunos que necessitam de atendimento educacional especializado em específico com transtorno do espectro autista. Trata-se de uma revisão de literatura que apresenta o levantamento dos recursos didáticos utilizados para as aulas de Matemática com alunos autista. Também destaca a contribuição de pesquisadores na área de Educação Matemática sobre a aplicabilidade desses recursos e enfatiza a importância de desenvolver mais pesquisas nesta área de estudo.

Políticas de inclusão garante o acesso de pessoas com algum tipo de deficiência nas escolas em território nacional brasileiro, mas isso nem sempre acontece de maneira adequada. Salas de aula com Atendimento Educacional Especializado têm sido criadas para suprir a demanda do número de matrículas da Educação Especial, no entanto pesquisas revelam que o número de Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), como espaço de Atendimento Educacional Especializado (AEE), não acompanha o aumento do número de matrículas da Educação Especial no ensino regular, que apresenta atualmente um déficit de 40% para atender esse público (SANTOS, et al., 2017).

Para que o AEE ocorra de maneira satisfatória para atender esse número de pessoas que já estão regularmente matriculados no sistema de ensino regular, a SRM deve propiciar ao aluno condição específica para realizar determinadas tarefas e estar fundamentado nas habilidades e competências do aluno.

Nesse sentido, a avaliação torna-se imprescindível para o professor iniciar o trabalho pedagógico especializado, pois é importante conhecer o aluno e as suas condições de inserção e participação na escola, na família e na sala de aula regular. Assim, o professor poderá providenciar os ajustes e as adequações nos diferentes âmbitos que interferem diretamente no processo de ensino e de aprendizagem do aluno, público-alvo do Atendimento Educacional Especializado, garantindo-lhe uma educação de qualidade (POKER, et al., 2013, p.11).

 

Há diversas variações de autismo com níveis mais brandos ou mais severos que influenciam diretamente no processo de ensino e de aprendizagem. E ainda, segundo Chequetto e Gonçalves (2015) “é possível observar que vários indivíduos diagnosticados com o mesmo tipo de autismo podem ter perfis e características próprios, diferentes uns dos outros” (p. 210). O desenvolvimento dos conteúdos Matemáticos com esses alunos, segundo esses  autores, se estabelece pelas percepções que são aos poucos adquiridas, a partir das atividades realizadas em sala de aula ou com outros recursos didáticos. Desta forma, as observações são muito importantes e não devem ficar restritas apenas às atividades que dizem respeito à Matemática, mas que devem ser presenciadas também outras que dizem respeito à sociabilidade e interação do aluno no ambiente escolar.

Conclui-se que as adequações e ajustes nos diferentes âmbitos, que interferem no processo de ensino e de aprendizagem, estão ligados diretamente ao uso recursos didáticos para atender as necessidades específicas de cada aluno, tornando-se imprescindíveis sua seleção e adequação para cada tipo de necessidade. Se a Meta 4 é  universalizar até 2024 o acesso à Educação Básica e ao AEE, segundo o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela Lei nº 13.005/2014 (BRASIL, 2014), a população de 4 a 17 anos que fazem parte da Educação Especial devem ter a garantia de sistema educacional inclusivo de boa qualidade com SRM, recursos didáticos adequados e professores preparados.

 


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Referências


BRASIL. MEC. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) e dá outras providências. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil, Brasília, DF: MEC, 2014.

CHEQUETTO, J. J.; GONÇALVES, A. F. S. Possibilidades no Ensino de Matemática para um aluno com autismo. Revista Eletrônica Debates em Educação Científica e Tecnológica, ISSN 2236-2150 – V. 05, N. 02, p. 206-222, Outubro, 2015. Disponível em: http://ojs.ifes.edu.br/index.php/dect/article/view/427. Última visita em: 12/04/2016.

POKER, R.B. et al.. Plano de desenvolvimento individual para o atendimento educacional especializado. São Paulo: Cultura Acadêmica. Marília: Oficina Universitária, 2013.

SANTOS, J.O.L. et al.. Atendimento Educacional Especializado: Reflexões sobre a Demanda de Alunos Matriculados e a Oferta de Salas de Recursos Multifuncionais na Rede Municipal de Manaus-AM. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.23, n.3, p.409-422, Jul.-Set., 2017.


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