INCLUSÃO DIGITAL E EDUCAÇÃO: EMERGÊNCIAS DO MUNDO GLOBALIZADO

Rosa Maria Rodrigues Barros, Léia Souza Moraes Silva, Cinara Salete Belo Ciseski

Resumo


Em tempos globalização e de avanços nas tecnologias da informação e comunicação verifica-se uma revolução nos modos de produção do homem, consequentemente os modelos de trabalho estão se modificando exigindo um novo perfil profissional provocando o estabelecimento de novas relações entre os sujeitos e a sociedade.

Nessa circunstância, apesar do esforço massivo da educação formal, provida pelas escolas e universidades em inserir as tecnologias da informação como componentes do currículo, ainda há uma profunda fissura entre as demandas oriundas do paradigma tecnológico emergente em termos particulares, de Mercado e o que a escola propõe.

De acordo com Silva e Mercado (2013, p. 238), “transpor a metodologia da reprodução a partir do quadro e giz para a reprodução por meio de artefatos eletrônicos é reduzir/anular o potencial que tais recursos oferecem à educação contemporânea.”

Nos países subdesenvolvidos as taxas de analfabetismo entre os adultos encontram-se ainda expressivamente altas. Conforme exposto no Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2015 (UNESCO, 2015, pp. 6 e 7 ), ainda há 781 milhões de adultos não-alfabetizados no mundo. “A educação apenas realizará todo o seu potencial de fazer o mundo avançar se as taxas de participação escolar melhorarem profundamente, o aprendizado se tornar uma empreitada ao logo da vida e os sistemas educacionais englobarem totalmente o desenvolvimento sustentável.” (UNESCO, 2016, p. 8)

No contexto brasileiro, a partir da LDB  9394/96 foi desenvolvida uma organização pedagogicamente plena voltada para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Houve uma mudança de paradigma de programas incipientes com ênfase em uma instrução básica para uma formação mais plural voltada também para o engajamento dos sujeitos no processo produtivo.

A partir do Parecer 11/00(“PARECER CNE/CEB 11/2000) ocorreu a inserção e regulamentação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA,  tendo três funções com um lastro de convergências transformadoras sendo elas: a reparadora, a equalizadora e a função qualificadora.

Como modalidade educativa, o EJA confirma o direito público e subjetivo à educação para aqueles que foram impossibilitados de exercê-lo na idade apropriada. Ademais confere a oportunidade de continuidade da formação, com vistas a qualificação profissional.

Devem ser objetivos da Educação na atualidade, para além da transmissão dos conhecimentos historicamente construídos, a preparação dos sujeitos para interagirem tanto com o meio social, como com o mundo digital, e o fornecimento de subsídios para que estes desenvolvam a autonomia; acrescente-se a isso a capacitação para agir no mundo do trabalho contemporâneo. Nesta perspectiva a qualificação profissional constitui-se num dos caminhos na elaboração e sistematização dos conhecimentos específicos, tanto para àqueles que necessitam de um avanço em sua capacitação, como para os sujeitos que não tiveram um acesso qualificado e substancial na formação.

Diante desta prerrogativa emerge o uso massivo das tecnologias da informação e comunicação, vistas como veículos para a inclusão social e alternativos às demandas por educação básica e capacitação profissional em atendimento às necessidades das empresas. Nesta perspectiva devem ser consideradas as contradições em confronto nesse panorama, que seriam o acesso democrático ao conhecimento e inclusão dos sujeitos diante da dualidade muito presente na educação brasileira.

Oriundo de uma abordagem qualitativa pautada na pesquisa do tipo Estado do Conhecimento, esse artigo, sem a pretensão de conclusividade, pretende abrir um espaço para um diálogo reflexivo acerca do que está impresso nos discursos e declarações internacionais voltados para a inclusão digital, educação e profissionalização, por sua vez o que dizem as políticas públicas voltadas para a educação e organização do currículo brasileiro, e em que medida são influenciadas pelos acordos internacionais.

 

Palavras chaves: TIC; Educação; Políticas Públicas; Currículo; Inclusão.


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Referências


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Oliveira, E. de, Soares, G. L. C., Moura, G. C. V., & Pereira, L. R. (2015). Aprendizagem significativa na EJAT : uma leitura do mundo da cultura digital com foco nas novas tecnologias de comunicação e informação. Universidade de Brasília. Brasília. Retrieved from http://bdm.unb.br/handle/10483/15804

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