Processo de alfabetização e de letramento de crianças hospitalizadas mediado pela ludicidade

Bruna Elisa de Souza, Danielli Rauber de Souza, Denise Apolinário Zimmermann, Patricia Vieira, Jordelina Beatriz Anacleto Voos

Resumo


Relata-se, nesse artigo, as vivências do Estágio Curricular Supervisionado do Curso de Pedagogia, da Universidade da Região de Joinville, em um Hospital Materno Infantil, no município de Joinville, Estado de Santa Catarina, em cujo objetivo buscava-se estabelecer a interlocução entre educação e saúde, na tentativa de identificar as possíveis respostas para o seguinte problema: qual é a contribuição do pedagogo no processo de recuperação da criança hospitalizada?  A partir da legislação vigente que assegura às crianças o direito à assistência educacional e de referencial teórico que defende a contribuição de atividades pedagógicas, para o bem-estar das crianças enfermas; que favorece a resiliência ao ambiente agressivo no qual se encontra; que resgata o vínculo com o cotidiano escolar, o lúdico apresenta-se como canal de comunicação entre pedagogo e crianças que permanecem hospitalizadas durante um determinado período de suas vidas. O levantamento feito durante a etapa de observação sobre as necessidades das crianças hospitalizadas e de entrevista com a pedagoga hospitalar, tornou-se possível elaborar uma proposta colaborativa de intervenção, centrada na ludicidade, mediada pelos jogos didáticos como recursos para promover a alfabetização com letramento no dia-a-dia das crianças/pacientes. O processo de investigação e de intervenção fundamentou-se na abordagem qualitativa. Considerando como critério, o tempo e a frequência das hospitalizações para a constituição da amostra, os dados foram coletados durante a ação da pedagoga, na classe hospitalar e no atendimento às crianças, no leito, quando estas encontravam-se impedidas de locomoção. Os resultados, conforme os registros (produção das crianças e depoimentos), apontaram que a ação do pedagogo hospitalar tem contribuído para: a manutenção do vínculo das crianças com as atividades cotidianas; a melhoria no processo de recuperação da saúde; a reintegração de crianças ao processo educacional de suas escolas de origem e com o processo de tratamento de enfermidades de forma menos traumática. Além disso pode-se inferir, também, que o pedagogo, ao desmitificar, por meio do lúdico, a hostilidade do ambiente hospitalar, minimiza o medo das crianças e fortalece o clima de confiança nos profissionais da saúde que atuam nesse espaço. E, dessa forma concretiza-se a interlocução entre saúde e educação.

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