Relações líquidas no cotidiano do Ensino Superior: uma análise das relações entre professores e alunos

Mariana Domitila Padovani Martins, Eliete Jussara Nogueira

Resumo


RELAÇÕES LÍQUIDAS NO COTIDIANO DO ENSINO SUPERIOR

Uma análise das relações entre professores e alunos

A Modernidade Líquida, definida por Zygmunt Bauman, apresenta desafios para a educação. Entre eles as relações no cotidiano escolar do ensino superior, dado que entre algumas características temos a fluidez das relações pessoais e as certezas antes básicas na educação que agora passam por modificações e novas descobertas cada vez mais rápidas e que são vivenciadas e incorporadas pelos alunos, por meio das tecnologias. Tais condições, podem levar os indivíduos a situações de inclusão e também podem fazê-los sentir a pressão das tecnologias da informação, com respostas rápidas e completas, carregando o estereótipo de modelos ideais, na busca de atualizar-se de forma rápida e conectada. O estudante do ensino superior pode aligeirar-se nas conclusões e o desenvolvimento do pensamento crítico pode ser afetado,  quando se sentirem desatualizados. Eis que novas perguntas surgem: Como o professor pode ensinar e se relacionar com alunos envolvidos  na lógica da tecnologia e do consumo? Como a tecnologia pode afetar esse processo? Como ter um processo inclusivo no ensino superior? Diante de tais questionamentos o objetivo dessa comunicação é apresentar alguns resultados parciais de uma pesquisa de Doutorado em andamento. Neste trabalho, entende-se que o cotidiano do ensino superior, movimenta-se numa sociedade que reconhece como indivíduo aquele que tem “o poder de consumo” e como “o estranho, inadequado ou mesmo invisível”, aquele que não o tem. Uma sociedade de consumo, onde a promessa de satisfação permanece sedutora enquanto o desejo não é realizado. Deste modo, propôs-se explorar as perspectivas sobre a Educação frente os desafios da Modernidade Líquida, buscando rastros e indícios discursivos e comportamentais, por meio de análise das narrativas formais e informais de professores e alunos, coletadas em diários de campo, selecionados aleatoriamente entre março e maio de 2017, com um total de 6 turmas, contendo aproximadamente 30 alunos cada uma, dos cursos de: Administração, Comércio Exterior e Relações Públicas da Universidade de Sorocaba (SP/Brasil).  Além do diário de campo com observações foi realizado em sala de aula um debate motivado por perguntas como: O que é uma boa aula e um bom professor? Quem são os professores e os alunos contemporâneos e quais são seus objetivos em sala? Professores e alunos podem ser amigos? - A partir dos dados coletados em forma de narrativas, identificou-se três categorias que posteriormente serão estudadas e aprofundadas; classificadas neste trabalho como a Tríade das Relações Docentes e Discentes. São elas: 1ª Relação: “Professor Gestor e Aluno Colaborador”, onde professor e aluno, percebem a relação como se estivessem num contexto organizacional e não educacional. 2ª relação: “Professor Prestador de Serviço e Aluno Consumidor”, onde professor e aluno, percebem a relação como processo comercial de trocas. 3º Relação: “Professor Pessoa e Aluno Pessoa” (online e off-line), onde professor e aluno,  percebem a relação ancoradas em alguns valores humanos e consideram as diferenças individuais. Este trabalho é uma  Pesquisa Participante, definida ao moldes de  Demo (1981) com metodologia baseada no Paradigma Indiciário de Ginzburg (1983). Os resultados preliminares apontam a tendência nas relações interpessoais entre professores e alunos, cada vez mais líquidas e modeladas aos formatos mercantilistas, com regras de trocas, mas também em alguns momentos com valores e necessidades de humanização e considerações sobre as singularidades presentes em cada um (professor e aluno).

Palavras-chave: Ensino Superior; Relações Líquidas; Inclusão; Professores; Alunos.


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Referências


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