Sensibilidade de isolados de Septoria lycopersici e eficácia de fungicidas no controle de septoriose em tomateiro

Alana Karine Baldicera, Amauri Bogo, Francine Regianini Nerbass, Walter Ferreira Becker, Ricardo Trezzi Casa, Fábio Nascimento da Silva

Resumo


A septoriose é uma das principais doenças do tomateiro e os prejuízos causados variam em função da área cultivada com cultivar suscetível, raças fisiológicas do patógeno e condições climáticas. O objetivo do estudo foi determinar a dose efetiva na inibição de 50% da germinação de esporos (DE50), avaliar o fator de redução de sensibilidade (FRS) de isolados de Septoria lycopersici e a eficiência de fungicidas tradicionalmente utilizados no controle da septoriose do tomateiro em Santa Catarina, durante as safras 2016 e 2017.  Nos experimentos in vitro, 13 isolados de S. lycopersici obtidos de folhas com sintomas de septoriose do tomateiro de diferentes cultivares e os fungicidas tiofanato metílico e mancozeb nas concentrações de 0,1; 1,0; 10; 100 e 1000 mg L-1 do ingrediente ativo (i.a), foram avaliados para determinar a  dose efetiva na inibição de 50% da germinação de esporos (DE50) e o fator de redução de sensibilidade (FRS). Os isolados provenientes de lavouras que receberam aplicações de fungicidas foram comparados com os isolados 475-1, 475-3, 475-4 e 475-7 proveniente de lavouras que não receberam aplicações de fungicidas. Nos experimentos in vivo, os fungicidas preventivos azoxistrobina, clorotalonil, captana e mancozeb e os curativos tiofanato metílico, mancozeb, difenoconazol e metconazol nas doses comerciais foram pulverizados 12, 24, 36, 48, 72 e 96 h antes (preventivo) e após (curativo) à inoculação do isolado 475-1 de S. lycopersici para avaliar a eficiência no controle da septoriose do tomateiro. Os ingredientes ativos tiofanato metílico e mancozeb, independente das doses testadas, foram atóxicos aos 13 isolados de S. lycopersici. Os valores de DE50 do tiofanato metílico e mancozeb para a inibição da germinação dos conídios variaram entre 75 e 580 mg L-1. Os fungicidas preventivos clorotalonil, azoxistrobina e os curativos difenoconazol e metconazol foram significativamente eficientes no controle da septoriose do tomateiro in vivo.


Palavras-chave


Lycopersicon esculentum, controle químico, dose efetiva, sensibilidade a fungicidas, fungitoxidade.

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DOI: https://doi.org/10.5965/223811711922020159

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Revista de Ciências Agroveterinárias (Rev. Ciênc. Agrovet.), Lages, SC, Brasil        ISSN 2238-1171