Qualidade de grãos de híbridos de milho submetidos em diferentes épocas de semeadura e doses de nitrogênio

Juliano Berghetti, Ricardo Trezzi Casa, Antônio Eduardo Coelho, Luis Sangoi, Fabio Nascimento da Silva, Bruno Tabarelli Scheidt, Flávio Chupel Martins, André Henrique Ludwig

Resumo


A qualidade dos grãos é essencial na indústria alimentícia e mostra variações dependendo das condições de manejo da cultura no campo. O objetivo deste estudo foi quantificar o efeito de híbridos, épocas de semeadura e doses de nitrogênio em cobertura sobre a incidência de grãos avariados e sua correlação com fungos patogênicos. O experimento foi conduzido em condições de campo, em Atalanta, Santa Catarina, Brasil, em delineamento de blocos ao acaso, em parcelas sub-subdivididas, constituído pelos híbridos AG9025 PRO3 (super-precoce) e 30F53 VYH (precoce), semeadura preferencial (20 de setembro) e tardia (5 de dezembro) e doses de nitrogênio em cobertura (0, 150, 300 e 450 kg ha-1). O percentual de grãos normais, fermentados e avariados, bem como a incidência de fungos em grãos, foram quantificados. O híbrido 30F53 VYH apresentou o menor percentual de grãos fermentados (8,4%) quando comparado ao híbrido AG9025 PRO3 (43,2%). Nenhuma diferença significativa foi observada entre as épocas de semeadura nos grãos fermentados. O híbrido AG9025 PRO3 apresentou um aumento nos grãos fermentados com adição de nitrogênio, enquanto o híbrido 30F53 VYH apresentou comportamento estável. O híbrido AG9025 PRO3 (35,5%) apresentou a menor incidência de Fusarium verticillioides nos grãos quando comparado ao híbrido 30F53 VYH (49,9%). A incidência do fungo foi menor também na época de semeadura preferencial (35,7%) em relação à tardia (49,7%). O híbrido AG9025 PRO3 manteve estável a porcentagem de incidência de fungos em função das doses de nitrogênio. Nenhuma correlação significativa foi observada entre a porcentagem de grãos normais e fermentados com a incidência de F. verticillioides.


Palavras-chave


Zea mays, grãos danificados, Fusarium verticillioides, adubação nitrogenada.

Texto completo:

PDF (English)

Referências


ALEXANDER NJ et al. 2011. The genetic basis for 3-ADON and 15-ADON trichothecene chemotypes in Fusarium. Fungal Genetics and Biology 48: 485-495.

ANDRIOLLI CF et al. 2016. Timing of fungicide application for the control of Gibberella ear rot of maize. Tropical Plant Pathology 41: 264-269.

BARNETT HL & HUNTER BB. 1998. Illustrated genera of imperfect fungi. 4.ed. Minnesota: The American Phytopathological Society. 218p.

CASA RT et al. 2007. Incidência de podridões de colmo, grãos ardidos e rendimento de grãos em híbridos de milho submetidos ao aumento na densidade de plantas. Summa Phytopathologica 33: 353-357.

CASA RT et al. 2003. Decomposição dos restos culturais do milho e sobrevivência saprofítica de Stenocarpella macrospora e S. maydis. Fitopatologia Brasileira 28: 355-362.

COELHO AE et al. 2019. Sanidade de híbridos de milho em função da época de semeadura, doses de N em áreas com e sem rotação de culturas. Colloquium Agrariae 15: 101-113.

DENTI EA & REIS EM. 2001. Efeito da rotação de culturas, da monocultura e da densidade de plantas na incidência das podridões da base do colmo e no rendimento de grãos de milho. Fitopatologia Brasileira 26: 635-639.

DORDAS C. 2008. Role of nutrients in controlling plant diseases in sustainable agriculture. A review. Agronomy for Sustainable Development 28: 33-46.

DUARTE RP et al. 2009. Comportamento de diferentes genótipos de milho com aplicação foliar de fungicida quanto à incidência de fungos causadores de grãos ardidos. Bioscience Journal 25: 112-122.

FERREIRA DF. 2011. Sisvar: a computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia 35: 1039-1042.

JULIATTI FC et al. 2007. Efeito do genótipo de milho e da aplicação foliar de fungicidas na incidência de grãos ardidos. Bioscience Journal 23: 34-41.

MAPA. 2011. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa 60/2011. Disponível em: . Acesso em: 01 fev. 2019.

MARIO JL et al. 2003. Reação de híbridos de milho à podridão branca da espiga. Fitopatologia Brasileira 28: 155-158.

MUNKVOLD GP & DESJARDINS AE. 1997. Fumonisins in Maize: Can we reduce their occurrence? Plant disease 81: 556-565.

NERBASS FR et al. 2015. Field evaluation of maize for Gibberella ear rot resistance using silk channel and kernel inoculation with Fusarium meridionale. Tropical Plant Pathology 40: 388-393.

PANISON F et al. 2016. Harvest time, stem and grain sensibility of maize hybrids with contrasting growth cycles. African Journal of Agricultural Research 11: 2403-2411.

PEREIRA FILHO IA & BORGHI E. 2016. Mercado de sementes de milho no Brasil Safra 2016/2017. Sete Lagoas: Embrapa. 32p. (Documento 202).

PINTO NFJA. 2005. Grãos ardidos em milho. Sete Lagoas: Embrapa. 6p. (Circular Técnica 66).

POULSEN HORNUM M et al. 2013. Comparación entre técnicas de inoculación de Fusarium verticillioides en espigas de maíz. Revista de Investigaciones Agropecuarias 39: 312-317.

RAMOS DP et al. 2014. Infecção por Fusarium graminearum e Fusarium verticillioides em sementes de milho. Pesquisa Agropecuária Tropical 44: 24-31.

RANZI C et al. 2017. Influence of continuous cropping on corn and soybean pathogens. Summa Phytopathologica 43: 14-19.

REID LM et al. 1999. Interaction of Fusarium graminearum and F. moniliforme in maize ears: Disease Progress, Fungal Biomass, and Mycotoxin Accumulation. Phytophatology 89: 1028-1037.

REIS EM et al. 2011. Controle de doenças de plantas pela rotação de culturas. Summa Phytopathologica 37: 85-91.

RIBEIRO NA et al. 2005. Incidência de podridões de Colmo, grãos ardidos e produtividade de grãos de genótipos de milho em diferentes sistemas de manejo. Ciência Rural 35: 1003-1009.

RITCHIE SW et al. 1993. How a corn plant develops? Ames: Iowa State University of Science and Technology. 26p. (Special Report 48).

SANGOI L et al. 2010. Ecofisiologia da cultura do milho para altos rendimentos. Lages: Graphel. 87p.

SARTORI AF et al. 2004. Quantificação da transmissão de Fusarium moniliforme de sementes para plântulas de milho. Fitopatologia Brasileira 29: 456-458.

TRENTO SM et al. 2002. Efeito da rotação de culturas, da monocultura e da densidade de plantas na incidência de grãos ardidos em milho. Fitopatologia Brasileira 27: 609-613.

WHITE DG. 1999. Compendium Of Corn Diseases. St. Paul: APS Press. American Phytopathological Society. 78p.

WILKE AL et al. 2007. Seed transmission of Fusarium verticillioides in maize plants grown under three different temperature regimes. Plant Disease 91: 1109-1115.

WORDELL FILHO & SPAGNOLLO IE. 2013. Sistema de cultivo e doses de nitrogênio na sanidade e no rendimento do milho. Ciência Rural 43: 199-205.

YATES IE et al. 2005. Desempenho em campo de milho cultivado a partir de sementes inoculadas com Fusarium verticillioides. Micopatologia 159: 65-73.




DOI: https://doi.org/10.5965/223811711912020026

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


______________________________________________________________________________________________________________________________

Revista de Ciências Agroveterinárias (Rev. Ciênc. Agrovet.), Lages, SC, Brasil        ISSN 2238-1171