Rastros neoliberais no currículo de um curso de Design de Moda do interior do Rio Grande do Sul

Priscila Gil Wagner, Daniela Ripoll

Resumo


Este artigo tem por objetivo entender como a governamentalidade neoliberal está presente no Projeto Pedagógico e nas ementas das disciplinas do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda ofertado pelo do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Erechim. Parte-se de dois pressupostos: a) os currículos dos cursos acadêmicos são construídos a partir de determinadas abordagens e perspectivas teóricas e acabam por ensinar mais do que os conteúdos pretendidos: eles ensinam o estudante a ser e estar no tempo presente; b) a lógica neoliberal permeia múltiplos espaços socioculturais e se traduz, no currículo do referido curso, na ênfase à autonomia dos sujeitos, no imperativo da inovação, da concorrência e da flexibilização das mentes e do tempo de trabalho. Tais características – tidas como desejáveis nos sujeitos na contemporaneidade – direcionam as ações, as vontades e os desejos de docentes e discentes. É interessante perceber como a lógica neoliberal está presente nesses documentos a fim de formar os alunos orientando-os, primariamente, para o mercado.Este artigo tem por objetivo entender como a governamentalidade neoliberal está presente no Projeto Pedagógico e nas ementas das disciplinas do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda ofertado pelo do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Erechim. Parte-se de dois pressupostos: a) os currículos dos cursos acadêmicos são construídos a partir de determinadas abordagens e perspectivas teóricas e acabam por ensinar mais do que os conteúdos pretendidos: eles ensinam o estudante a ser e estar no tempo presente; b) a lógica neoliberal permeia múltiplos espaços socioculturais e se traduz, no currículo do referido curso, na ênfase à autonomia dos sujeitos, no imperativo da inovação, da concorrência e da flexibilização das mentes e do tempo de trabalho. Tais características – tidas como desejáveis nos sujeitos na contemporaneidade – direcionam as ações, as vontades e os desejos de docentes e discentes. É interessante perceber como a lógica neoliberal está presente nesses documentos a fim de formar os alunos orientando-os, primariamente, para o mercado.

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DOI: https://doi.org/10.5965/25944630412020010

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